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Autores e Obras

 


Obras e Autores


Publicado em 12/9/2020


Obra: Arte de Fazer Mantos

De: Maria da Luz Raposo


Publicado em 16/9/2020  


Obra: O Tempo do Zoom

por: Lino Solposto


Obra: O Ano de 1968

por: Eliseu Pinto


Obra: Pedaços da menina que fui

por: Maria Fernanda Calçada


Publicado em 12/9/2020


Obra: Arte 4 Fotos na Pandemia

De: Manuel Júlio Silva


Publicado em 9/9/2020


Obra: Celebrando a Primavera

por: António Henriques


Obra: Lembranças

por: Maria do Carmo R F Nunes


Obra: A Pandemia por Corona

por: Maria Florença Pires


Obra: Se eu Fosse um Pássaro

por: António Henriques


Publicado em  7/9/2020


Obra: Arte na Pandemia

De: Maria da Luz Raposo


Publicado em 4/9/2020


Obra: O Tempo das Maçãs

 Riscadinhas

por: Maria José Domingos


Obra: As Meninas

por: Maria Fernanda Calçada


Obra: Naturalmente

por: Gilberto de Paiva


Publicado em  28/8/2020


Obra: Arte Fotog. na Pandemia

De: Lino Solposto


Publicado em  25/8/2020


Obra: Janela da Vida

por: Maria Fernanda Gomes


Obra: O Tempo dos Melros

por: Lino Solposto


Obra: O Lugar Onde Nasci

por: João Batista


Publicado em  23/8/2020


Obra: Arte de Renda na Pandemia

De: EMaria Fernanda Calçada


Publicado em  21/8/2020


Obra: Esperança

por: António Henriques


Obra: Laços de Primavera

por: Luisa Faria


Obra: O Impacto da Pandemia....

por: Maria Florença Costa


Publicado em  20/8/2020


Obra: Arte Fotog. na Pandemia

De: Eliseu Pinto


Publicado em  17/8/2020


Obra: Estado de espirito

por: Maria do Carmo Nunes


Obra: Estimados colegas

por: Gilberto de Paiva


Obra: Celebrando a Primavera

por: António Henriques


Publicado em  9/8/2020


Obra: Artes na Pandemia de:

De: Fernanda Cravo


Publicado em  6/8/2020


Obra: A Minha Janela

por: Luísa Faria


Obra: O Antes e  o depois

por: Maria Fernanda Calçada H.


Obra: Socorro! Acudam aos idosos

por: Lino Solposto


Publicado em  30/7/2020


Obra: Artes na Pandemia de:

De: Maria da Luz Raposo


Publicado em  26/7/2020


Obra: Aqui existe amor

por: Arlette Pereira


Obra: As voltas que a vida dá

por: Maria do Carmo Nunes


Obra: Brindo à vida

por: António Henriques


Obra: O que te faz feliz

por: Arlette Pereira


Publicado em  15/7/2020


Obra: Pinturas de:

De: Aida Matos


Publicado em  13/7/2020


Obra: O que Me Faz Feliz

por: Eliseu Pinto "O Gralha"


Obra: O Que Me Faz Feliz

por: Gilberto de Paiva


Obra: O que me faz (ou fez!..) feliz

por: Emílio Duarte


Publicado em  10/7/2020


Obra: Artes na Pandemia

De: Inês Martins


Publicado em  8/7/2020


Obra: Como surgiu o vírus mundial

por: Maria José Domingos


Obra: Esperança

por: Luísa Faria


Obra: Porque Insistem

por: António Henriques


Publicado em  6/7/2020


Obra: Pinturas de:

De: Carmelinda Fernandes


Publicado em  1/7/202


Obra: O Que me fez e faz feliz

por: Maria Fernanda Calçada


Obra: O Que me fez e faz feliz

por: Maria Fernanda Calçada


Obra: Momentos de mim

por: Maria Fernanda Gomes


Obra: Às Voltas com a felicidade

 por: João Batista


Publicado em  26/6/2020


Obra: O Que me faz ser feliz

por: António F. R. Ramalho


Obra: Ser feliz

por: Maria do Carmo R. F. Nunes


Obra: O Que me faz ser feliz

 por: Lino Solposto


Autores e Obras


Aida Matos   

Pinturas

 

António F. R. Ramalho

O Que me faz ser feliz

 

António Henriques  

Porque Insistem

Brindo à vida

Celebrando a Primavera

Esperança

Se eu Fosse um Pássaro

 

Arlette Pereira

Aqui existe amor

O que te faz feliz

 

Carmelinda Fernandes

Pinturas

 

Eliseu Pinto

O que Me Faz Feliz

Arte Fotográfica - Por do Sol

O Ano de 1968

 

Emílio Duarte

O que me faz (ou fez!..) feliz

 

Fernanda Cravo

Arte de Mascaras na Pandemia

 

Gilberto de Paiva

O Que Me Faz Feliz

Estimados colegas

Naturalmente

 

Inês Martins

Arte de Tricou na Pandemia

 

João Batista

Às Voltas com a felicidade

O Lugar Onde Nasci

 

Lino Solposto

O Que me faz ser feliz

Socorro! Acudam aos idosos

O Tempo dos Melros

Arte Fotografia - Gato e Cão

O Tempo do Zoom

 

Luísa Faria

Esperança de Luisa Faria

A Minha Janela

Laços de Primavera

 

Manuel Júlio Silva

Arte 4 Ftos na Pandemia

 

Maria da Luz Raposo

Artes na Pandemia - Aventaisa

Arte de Bordados na Pandemia

Arte de Aventais na Pandemia

Arte de Fazer Mantos

 

Maria do Carmo Nunes

Ser feliz

As voltas que a vida dá

Estado de espirito

Lembranças

 

Maria Fernanda Calçada

O Que me fêz e faz feliz

O Antes e o depois

Arte de Renda na Pandemia

As Meninas

Pedaços da meniina que fui

 

Maria Fernanda Gomes

Momentos de mim

Janela da Vida

 

Maria Florença Costa

O Impacto da Pandemia..

A Pandemia por Corona

 

Maria José Domingos

Como surgiu o vírus mundial

O Tempo Maçãs Riscadinhas

ATELIER de ESCRITA e LEITURA

Objetivo: - Incentivar a escrita de textos próprios, baseados num tema, selecionado anteriormente pelo grupo coordenador.

- Leitura dos textos em grupo e participação na Roda de Leitura, promovida pela Associação de Alunos da Universidade Sénior.

- Construir um livro no final do ano, com os textos apresentados pelos participantes.

- Regulament e Normas de escrita                                                                                           Última revisão desta página a 20 de setembro de 2020, 02:190

Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 7-9-2020

 

Título: Arte de Fazer os Mantos na Pandemia

Autora: Maria da Luz Raposo
 
     
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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 16-9-2020

 

 

Título: O Tempo do Zoom

Autor: Lino Solposto

O Tempo do Zoom

Ainda cheguei a tempo da música e letra de autor, marcando o evento,

De ver lavores femininos por gente prendada,

De alguém que faz força para combater este tempo,  

Que é duro, feroz, inclemente e incerto.

E em Quatro Estações bem marcadas,

Conseguimos ver olhos brilhando de alegria,

Ainda adivinhámos ternura quando se disse poesia.

Um punhado de bravos deram testemunho,

Estarem dispostos a lutar,

Também a dar e receber.

Então, ousemos, não nos acanhemos, ninguém nos irá julgar,

Haverá sempre um talento escondido, pronto a desabrochar.

E não adianta decalcar,

Fartos que estamos de frases feitas,

Esperámos em vão, promessas e mais promessas, por executar.

É também tempo que devia ser de férias,

Local próprio de brincadeira e fantasia,

Mas os arautos de serviço nem espalham a esperança,

Nem projetam o futuro, que está tão perto, já amanhã.

Enquanto isso, vamo-nos mascarando, antecipando o Carnaval,

E entrincheirados, aguardamos que alguém erga a bandeira,

Escorrace o medo, e devolva à vida, a alegria

Atelier de Escrita

Julho/2020

Lino Solpost

 


Título: O Ano de 1968

Autor: Eliseu Pinto

-  As voltas da vida – ou recordando 1968, em tempo de covid  -

O chefe do escritório chamou-me e disse: Ó Pinto, você é, quem está no serviço, há menos tempo e como a obra está a terminar, o melhor será procurar outro emprego. Pois, vai ser o primeiro do escritório, a ser despedido. Se precisar de tempo para tal, ou, de carta de recomendação, é só dizer. - E assim, o senhor Martins, pôs-me perante a triste realidade, de ter de procurar trabalho. Pois, não tinha jeito para o gamanço, e só me ensinaram a trabalhar para, ganhar a vida. - Depois, de várias diligências, disse-me um colega de escola, que na firma onde ele trabalhava, iam admitir um escriturário.

Fui, à morada que me indicou, tentar a minha sorte. Era em Lisboa, no 3º andar de um prédio com elevador. Situação embaraçosa: Eu, o aldeão, que aos 18 anos, nunca tinha andado em tal coisa, achei melhor ir pelas escadas; não fosse o diabo tecê-las e eu ficar fechado lá dentro. Mas, apareceu o porteiro; o qual me perguntou ao que vinha. Disse-lhe, o porquê da minha presença no seu domínio; e ele, vendo que eu continuava com intenção, de ir escada acima, tomou a iniciativa de me levar no ascensor, até ao 3º andar. E assim foi, o meu batismo na ascensão vertical. – Agradeci e dirigi-me ao guichet, onde estava escrito “Expediente”; o funcionário que me atendeu, chamou o chefe e apareceu um mal-encarado, que ao ouvir a minha pretensão, despachou-me de modo seco e desabrido, dizendo: Não há vaga nenhuma! A que havia, já está preenchida.

Saí atordoado, bastante frustrado, não só, por não conseguir a colocação, mas também, pela forma como fui tratado. Pois, o homem não me deu a mínima hipótese. À noite, quando encontrei na escola (em Vila Franca) o meu colega, que trabalhava no tal escritório, contei-lhe o sucedido. E ele, assegurou-me, que o lugar continuava em aberto. E esclareceu-me de que eu, tinha ido ao guichet errado. Pois, a vaga era para a contabilidade e não para a secção de expediente. Onde, logo por azar, o chefe era um mal disposto crónico; com a agravante de detestar guedelhudos. Ponderei a situação e disse, cá para mim: Vamos lá a ganhar tento rapaz! Tens de fazer pela vida. E com estes considerandos, delineei a estratégia a seguir.

No dia seguinte, logo que abriu a barbearia, fui ao sacrifício, entregando-me aos desvarios, da tesoura do barbeiro. O qual, desbaratou num ápice, a minha adorada cabeleira à beatle e a rala barbicha. Depois, vesti a fatiota de “ver a Deus”, (mas, sem calças à boca de sino, então na moda) engravatadinho e engraxadinho, lá fui, para o combate. – Entrei no prédio, dei os bons dias ao porteiro, que me olhou com ar intrigado (talvez pelo novo visual) decerto admirado pela mudança radical. E demonstrando eu, que o elevador para mim, já era tu cá tu lá, nele subi ao piso, onde se ia ditar a minha sorte, tentando mostrar uma segurança que não tinha. Desta vez, fui direitinho à Contabilidade. Falei com o chefe que se mostrou agradado com as minhas referências; e a coisa correu tão bem, que tive logo ordem, para me apresentar ao serviço na segunda-feira. Como, era quinta-feira, fui de imediato, comunicar ao senhor Martins. O qual, não pôs qualquer objeção à minha repentina saída do emprego. Despedi-me, grato pela forma como fui tratado, não só pelos colegas como pelo chefe, que me disse: Tenho pena, de não poder continuar a trabalhar consigo. Mas, continue a ser quem é, e vai ver, que as suas qualidades, irão ser reconhecidas; e vai ter sucesso na vida. - Foi bom ouvir, tais palavras. - Os dados estavam lançados.

 Preparei-me, para ingressar, naquele que foi, o meu posto de trabalho, durante doze anos. - Ainda, que à custa do corte, do meu rico cabelinho à beatle e da barba. – Enfim… Ao que um jovem se “tinha de sujeitar”, para fazer pela vida. Eram, tempos difíceis e com as suas bizarrias, ditadas pelo atraso que no país subsistia . E por muito mérito que se tivesse, em certos empregos, não havia lugar para modernices. E muito menos, com certas pessoas em cargos de chefia e com mentalidades retrógradas, como era o caso, do chefe do Expediente. O qual, durante uns tempos me olhou de lado, talvez, reconhecendo em mim, o sujeito a quem ele, tinha despachado desabridamente. Mas, no entanto, nunca tal assunto abordou e como eu, não era seu subordinado direto, mantive sempre uma certa  distancia.

No dia aprazado lá fui, de comboio até Sta. Apolónia e depois apanhei o 12. Mas, ia tão desorientado e pouco habituado à cidade que, passei pela paragem onde deveria descer e nem me apercebi. Só lá mais adiante é que, achando estranho, não reconhecer qualquer local por onde passava, perguntei ao cobrador. O qual me disse, que deveria ter descido duas ou três paragens antes. - Mas, que grande bronca! Logo no primeiro dia, ia chegar atrasado. Desci na paragem seguinte e voltei para trás a pé. “Com os bofes à boca”, finalmente cheguei e muito encabulado, dirigi-me ao gabinete do chefe, apercebendo-me que toda a malta cochichava a minha chegada fora de horas. Fui recebido friamente, com estas palavras: Logo no primeiro dia a chegar atrasado! Não haja dúvida, que está a começar bem. - Nem me consegui explicar. Pois, o senhor Vilela estava mesmo zangado e nem quis ouvir as minhas razões. Só faltou, pôr-me logo na rua. Depois, com maus modos chamou um funcionário e disse-lhe: Explica aqui a este “senhor”, qual vai ser a sua função, e esperemos que esteja à altura. Pois, na pontualidade, está a começar muito mal. E eu, transpirava por todos os poros e com, uma terrível  vontade de urinar – Felizmente, o novo colega, fez-me recuperar a confiança, dizendo-me: Tenha calma, que os “azeites” vão-lhe passar. Eu então, disse-lhe que precisava de ir à casa de banho. Ele indicou-me onde era e lá me fui aliviar. Felizmente, o resto do dia correu satisfatoriamente.

Por sorte e também, porque, algum valor em mim habita, passado pouco tempo, o chefe, tinha-me em alta consideração. E delegava em mim, certas tarefas (hoje arcaicas) a que ele dava muito apreço; tal como, escrever em letra “inglesa” ou “francesa”, os títulos das capas e lombadas das pastas do seu gabinete. E como a Caligrafia era, uma das disciplinas do meu Curso Comercial, eu safava-me bem com a escrita. - Sorrio, ao pensar, como certos atributos, hoje sem relevância, foram enxadas úteis, no início do meu percurso profissional.   

                           Eliseu Pinto  “ O Gralha “   17/08/20

 


Título: Pedaços da menina que fui

Autora: Maria Fernanda Calçada

Pedaços da menina que fui

Esta manhã na rotineira ação de limpar o pó à estante da minha sala, atirei ao chão uma moldura, que se desfez em mil pedaços.

Era uma daquelas molduras muito em voga há uns anos atrás, em que na cartolina estava desenhada uma árvore, e nos ramos havia espaços para inserir fotografias; esta tinha seis. Naturalmente alterada com o acontecido comecei a escolher de entre os restos, as fotos que lá tinham estado anos; e dei por mim, saudosa, a relembrar as várias épocas que elas eternizaram. A mais antiga mostra-me bebé de poucos meses, de mãos na boca, reclinada num cadeirão, com um vestidinho comprido cor de rosa, com a fímbria toda bordada a branco. Enternecedora, sim, mas, como é lógico não guardo recordações desse tempo.

Depois há uma outra, um pouco mais tarde em que estou ao colo de minha mãe, mas sem dar muita atenção ao fotógrafo, meu pai, que queria mostrar o seu talento, mas eu não facilitei a tarefa Mas a minha mãe ficou linda.

Uma outra, de quando eu teria talvez uns cinco anos estou entre os meus pais e ostento, orgulhosa uma boneca, que, maravilha das maravilhas, tinha a cabeça de loiça .Essa boneca ,que era o meu encanto, (até lhe lavava a cara) teve um fim trágico  numa certa noite ,em Lisboa ,em casa dos tios João e Matilde, De visita lá a casa, os meus pais e o casal foram ao teatro ,deixando-me entregue à criada ,uma senhora já com muitos anos que estando a fazer renda, se deixou adormecer .A certa altura resolvi visitar o sótão da casa ,.local onde não me deixavam ir sozinha, e acendendo a luz comecei a subir as escadas silenciosamente. Já estava lá no cimo, quando me surge pela frente a gata enorme e arisca de quem tinha um medo terrível; quis virar-me para descer, pus um pé em falso e aí vou em grande velocidade aterrar no corredor e acordando a minha guardiâ em sobressalto. Quando os meus pais voltaram encontraram-me com a cabeça enrolada numa toalha molhada, sem danos maiores que uns valentes altos na cabeça …mas chorando com todas as forças pois a minha adorada boneca estava sem cabeça! Só no Natal seguinte tive direito a receber outra. Numa outra foto estou junto a um avião, creio que um Lancaster usado na 2º guerra mundial, no dia do meu1 º voo; apanhei tosse convulsa e, depois de várias tentativas para me curar sem êxito o meu pai arranjou lugar para 2 voos na base da Ota. Foi para mim um acontecimento ;era a única criança a bordo e recordo que iam lá senhoras, familiares dos militares daquela base .Lembro ainda o barulho ensurdecedor que fazia dentro do avião, as pessoas gritavam para se fazer ouvir ,os assentos estavam com as crinas todas a aparecer, e o meu pai até ralhou comigo por estar  entretida a puxá-las!

Aquele avião fora utilizado na guerra, estava nas Lages para reparação e quando esta acabou foi cedido a Portugal. Velhinho e maltratado, mas não caiu!

Da “2º vez já fui bem mais calma, estava a tornar-se uma coisa normalíssima!

A tosse convulsa, passou, se foi por andar de avião nunca me questionei.

Mais uma foto, esta em cima de um camelo no Jardim Zoológico. Naquela época era costume meter as crianças (eram duas) em duas cadeirinhas a par no dorso de um camelo e lá íamos nós todos contentes dar uma voltinha! Não pedíamos muito para se ser feliz! Era a minha madrinha, residente em Lisboa que me arranjava sempre motivos para ficar contente. Outras vezes íamos de elétrico até ao fim da linha, na Cruz Quebrada, onde tomávamos um capilé e um pastel de nata!

A restante foto mostra-me com ar preocupado, sisuda mesmo: é a foto tirada para o meu primeiro bilhete de identidade; via entrar no liceu, uma nova etapa. Por mais que a D. Aurora, a fotógrafa me aconselhasse um sorrisinho, eu não lhe fiz a vontade. Quiçá a interiorizar que os tempos da infância ficavam para trás, e o futuro traria desafios desconhecidos que seria necessário encarar.

Tenho de arranjar maneira de encaixar estes pedaços de mim para memória futura

Fernanda Calçada

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 12-9-2020

 
 

Título: Arte Quatro Fotos na Pandemia

Autor: Manuel Silva

 

Quafro fotos muito simbólicas

 

 

 

 

 

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 9-9-2020

 

 

Título: Celebrando a Primavera

Autor: António Henriques

CELEBRANDO A PRIMAVERA

Primavera colorida, celebro a tua chegada,

Vieste de sol vestida e de flores, perfumada.

És bem-vinda e desejada, neste novo recomeço,

Ansiosamente esperada, de ti nunca eu me esqueço.

Com dias de chuva e vento, alguns, sem nada mexer,

Uns serão talvez tormento, outros, um doce prazer.

Mas és o tempo das flores, e dos campos verdejantes,

Inspiração de pintores, em quadros tão fascinantes.

És canção para os cantores, és paixão para os amantes,

És também fonte de amores, em regatos murmurantes.

E poetas te louvaram, nos versos que te fizeram,

E a todos nos encantaram, nos poemas que nos deram.

 A paisagem já se altera, em explosão de verde e flores,

E foste tu Primavera, que a pintaste de mil cores.

Renova-se a Natureza e novos seres vão nascendo,

Tanto esplendor e beleza, por todo o lado se vendo.

O céu azul vai ficando, o calor já está vindo,

Os frutos vão despontando, e belas flores vão abrindo.

Os dias são mais compridos, as noites são mais amenas,

Os campos estão coloridos, de papoilas e verbenas.

Assim se renova a vida, nesta bonita estação,

És por mim a preferida, eu tenho por ti, paixão.

António Henriques

Março 2018

 


Título: As Meninas

Autora: Maria Fernanda Calçada

LEMBRANÇAS

Hoje, 20 de Abril de 2020, acordei especialmente triste e desanimada. A noite foi má, não por causa de sonhos maus ou pesadelos, mas por falta de sono. As preocupações com o que se está a passar e o medo do que vem aí, não me deixam dormir.

Quando peguei no telemóvel e abri o facebook, eis que me apareceu uma memória minha, de uma foto que tirei no dia 20 de Abril de 1986, há 34 anos, a qual eu tinha publicado há uns anos. Estava grávida da minha primeira filha, na altura não sabia o sexo, portanto era o meu bebé, que viria a nascer no dia 4 de Maio de 1986.

Eu tinha 26 anos, tinha toda a força do mundo. Éramos todos vivos, juntávamo-nos muitas vezes, eramos muitos, fazíamos grandes almoços, jantares, celebrávamos os aniversários de todos, enfim, era uma vida com muita alegria.

Naquele ano, a 25 ou 26 de Abril, aconteceu uma grande tragédia ambiental, uma explosão na Central Nuclear de Chernobyl. Os russos tentaram camuflar a gravidade da situação, mas acabou por se saber. Foi um grande desastre ambiental para todos, seres humanos, animais, natureza, ainda hoje há zonas onde não nasce uma erva e há seres humanos a sofrer com as doenças provocadas pela radioatividade emanada para a atmosfera.

Eu andava tão empolgada com o nascimento do meu primeiro bebé que o desastre de Chernobyl, passou-me ao lado, até porque não havia tanta informação, quer na TV, quer nos jornais e não havia facilidade em consultar noticias pela Internet, pelo que não nos apercebemos bem da gravidade da situação.

20 de Abril de 2020, 34 anos depois, eis que dou comigo a lembrar dos desastres ambientais e biológicos que já aconteceram e a pensar que afinal o ser humano é prejudicial ao Planeta Terra, pois estamos a braços com mais um desastre humanitário, desta vez biológico, o vírus Covid-19, que nome pomposo, ou o novo Coronavirus, termo mais calão.

De notar que muitos desastres ambientais e biológicos aconteceram, por exemplo, no início da década de 80, apareceu a SIDA, e na época lembro-me que foi alarmante e aterrorizador, pois as pessoas tinham medo do contágio, mas penso que quase nada superou o medo que o Covid-19 nos trouxe. O ser humano está em grande perigo, pois há muito para descobrir até se debelar este vírus.

Então, aqui estamos nós em casa, em distanciamento social, não podemos tocar, não podemos abraçar, não podemos acariciar, beijar, estamos limitados ao uso de máscara, luvas, lavar as mãos vezes sem conta, etc., estamos confinados ao medo!

O que nos reserva o futuro? Doença, fome, tristeza, abandono?

Pode ser que a humanidade aprenda que o Planeta Terra não é para destruir, mas sim para respeitar, amar e proteger, para que assim todos os habitantes deste planeta maravilhoso, possam viver tranquilos e disfrutar de tantas coisas boas e lindas que a Mãe Natureza tem para nos dar e que nos fazem sentir tão bem.

 

Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

Aluna nº 1658

20 de Abril de 2020

 


Título: A Pandemia por Corona Virus

Autora: Maria Florença Pires


Título: Se eu fosse um pássaro

Autor: António Henriques

SE EU FOSSE UM PÁSSARO

Se eu fosse um pássaro voava, pelo céu azul infindo

A fresca brisa abraçava, em bailado terno e lindo

Mas também saboreava, da liberdade que havia

E feliz então cantava, agradável melodia

Saltando de ramo em ramo, a comida procurando

Fazendo aquilo que amo, companhia desejando

Indo até a natureza, as flores cumprimentar

Rendido à sua beleza, para à socapa, as beijar

Aspirando os doces odores, que delas se desprendiam

Amava todas as flores e elas correspondiam

Vários frutos debicava, com vontade e com prazer

Não me ralando com nada, querendo apenas viver

E com outros companheiros, encetava brincadeiras

Em voos breves, ligeiros, sem modos e sem maneiras

E à noitinha poisava, em árvore forte, frondosa

As forças recuperava, em soneca bem gostosa

Assim decorria a vida, vivendo o dia-a-dia

Sendo curta ou comprida, isso o destino o diria

Sem gaiolas nem amarras, p’ra livremente voar

Mas tendo atenção às garras, que me podiam matar

Se nascemos numa hora, mas morremos num segundo

Quero ser pássaro, agora, p’ra voar livre no mundo.

ANTÓNIO HENRIQUES

ABRIL 2020

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 7-9-2020

 

Título: Arte na Pandemia

Autora: Maria da Luz Raposo
 
 
 

 
 

 
 

   
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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 4-9-2020

 

 

Título: O Tempo das Maçãs Riscadinhas

Autora: Maria José Domingos

O TEMPO DAS MAÇÃS RISCADINHAS

Estamos no tempo das férias, e eu lá rumei mais uma vez para as terras do Oeste.

Já lhes conheço os humores, pois já são muitos anos por essas paragens, primeiro fui muitos anos para Santa Cruz, praia linda de mar azul, revolto, cheio de energia, areia dourada, minúsculos seixos que de tão polidos deram origem á macia areia, que nos afaga os pés a cada passagem.

Também frequento muito a Ericeira, mas nos últimos anos tenho ido mesmo para a Foz do Arelho, pois a sua Lagoa de águas calmas é mais própria para o meu neto tomar o seu banho, sem eu ficar com o coração acelerado.

É uma zona simpática e tranquila, com uma praia enorme, e onde podemos estender a toalha bem longe do vizinho.

Normalmente o tempo é um ziguezaguear constante, previsões são coisa que pouco resulta, assim é esperar a hora seguinte, para ver se o sol aparece.

Sim porque no Oeste, podemos num dia ter neblina, chuvinha, um belo sol, e depois um ventinho, ou também, como este ano, podemos ter a neblina, uma chuvinha, um ventinho, e o sol a aparecer por escassos momentos.

Mas eu gosto muito de praia, e assim mesmo com este tempinho, até vou saboreando a tarde soalheira, ou a manhã que desponta nebulosa e depois, e depois se abre num oásis de calor brando.

Já deixei estas paragens, e quando cheguei a casa o calor fazia sentir-se com elevada intensidade, e pensei “ que bem se estava no Oeste”.

Voltei á rotina, mas eu tenho quase sempre de quebrar a rotina, e este ano deu-me para as pinturas.

Já em Maio tinha pintado os muros do quintal, nunca tal tinha feito, achava que não tinha jeito, mas até ficaram bem e agora passei para móveis.

Sabem aqueles móveis, que nós vamos herdando, e que até são engraçados, mas já começam a ter alteração na cor, ou machas de muitas mãos que lhes tocaram, pois a alguns resolvi retirar as impressões digitais e pintá-los de branco, pois está na moda.

Parece que também não ficaram mal, uns pequenos, tipo mesa até foram para colocar junto da cama do meu neto, e ficou bem, mesmo bem.

E assim pintei também umas cadeiras e mais um banco alentejano, pelo menos ficaram com ar limpo, e desinfectado.

E assim vou alternado as minhas rotinas, não dispenso a minha caminhada a meio da manhã, para que já sinta na pele o calor do sol, até porque a vitamina D é muito importante, para combater as infecções, e activar a imunidade.

E do que precisamos mesmo é de bastante imunidade, ao “bicho”, e outras situações menos agradáveis que vão aparecendo.

 Todos vamos descobrindo ocupações, capacidades desconhecidas, e vivendo a vida com a alegria, que nos é necessária e benéfica.

Até já fiz uma viagem de comboio até ao Fundão, e foi bastante tranquilo.

Vivamos normalmente, com as precauções devidas e assim vamos saboreando as maçãs riscadinhas que aparecem neste tempo.

Costumo comprar estas frutas a pequenos agricultores, e outro dia comprei umas maçãs saborosas, perfumadas que me transportaram para as maçãs que comia na minha infância.

E o tomate coração de boi, que também está com um sabor esplêndido, entre a compra e a dádiva, eu e a minha família temos comido umas saladas cheias de sabor.

Apreciemos pois estes dias ainda cheios de Luz, saboreemos todos os frutos e legumes desta época espetacular, uma boa sopa de beldroegas, com um ovo escalfado, uma fatia de queijo fresco ou seco, é especial.

 E vivamos felizes.

18/08/2020

Maria José Domingos

 


Título: As Meninas

Autora: Maria Fernanda Calçada

As Meninas

cordo-as sempre juntas evidenciando a cumplicidade que se manteve ao longo da vida. Ainda hoje, já na casa dos noventa, assim continuam, inseparáveis.

Nascidas numa pequena terra, no seio de uma conceituada família formada por uma professora primária e um lavrador remediado foram primorosamente criadas num ambiente conservador. Lourdes, a mais velha, morena como sua mãe, foi uma menina exemplar, senhoril e sossegada. Já a mais nova, Odete de seu nome, loira como o pai, foi sempre a rebelde; o seu feitio irrequieto levava-a a alterar as normas estabelecidas. Não brincavam na rua, o quintal da casa era o seu mundo; a imaginação prodigiosa de Odete fazia a sua velha avó Mónica (lembro bem aquela figurinha franzina encimada por um carrapito todo branco) sair do sério. Fizeram a escola primária na terra, seguiram os estudos na vila próxima e posteriormente em Lisboa. Para onde ia uma, ia a outra; na terrinha eram chamadas As MENINAS…

Meninas eram e, meninas ficaram, pois nunca casaram; ainda hoje os habitantes mais antigos se lhes referem como AS MENINAS!

A certa altura da vida, com os pais já idosos foram morar para junto da cidade grande, por conveniência relativamente aos seus empregos. Deslocaram-se pela Europa fora num flamante carro cor de laranja e, com o passar dos anos trocaram-no pelo avião, que no caso da Odete a levou a mais de uma centena de países, com muitos episódios que dariam para encher mais umas folhas…Quando as conheci (eram vizinhas dos meus avós) bem mais velhas do que eu, sempre me senti atraída pelas duas irmãs e até hoje quando falo com elas, (pessoalmente ou ao telefone) começo por perguntar:Então como vão as MENINAS?!

Há anos atrás, aquando de uma visita onde me foi oferecido um chá, com o requinte que sempre lhes conheci, elogiei uma toalha lindíssima que estava na mesa. Disseram que fora bordada por elas, para um enxoval que nunca fora preciso, e um dia quando da sua morte, para onde iria parar, dado não terem familiares próximos …Com o à-vontade de muitos anos de amizade saí-me a dizer:-Mas não seja por isso, deixem um bilhetinho escrito a dizer:-A toalha de linho bordada a azul fica para a Maria Fernanda! Seguimos com o lanchinho, os anos passaram e não é que há semanas atrás, numa visita que mais uma vez lhes fiz, tinha em cima do sofá um saco à minha espera?!

Diz a Odete muito prazenteira:

-Neste saco que vais levar, está a toalha. Olhei para as duas com uma certa estranheza, pois nunca mais de tal me lembrara. Minhas ricas MENINAS que não param de me fascinar! Com muito carinho trouxe a toalha para casa e logo de seguida num almoço com toda a minha família, a toalha de linho bordada a azul, em ponto grilhão fez um brilharete!

Maria Fernanda Calçada


Título: Naturalmente

Autor: Gilberto de Paiva

NATURALMENTE

Daqui da cidade mais alta de Portugal

Cumprimento a Comunidade Académica

 Localidade de uma beleza natural

Com um pouco de poesia sem estética

Acredito que todos me vão desculpar

Por ter este meu atrevimento

Mas é uma maneira de na vida estar

Espero que tenha o vosso consentimento

Talvez haja alguém que não me queira ler

A esses não levo nada a mal

Na vida nem tudo o que é, parece ser

Vou vivendo como é normal

Naturalmente o que com isto quero dizer

É que vim por algum tempo para a  minha terra

Aldeia de Videmonte que me viu nascer

Com uma beleza extrema na encosta da serra

Pertenço ao concelho da Guarda

Que também tem nomes sonantes

Da Guarda o meu amigo me tarda

Era isto que D. Sncho dizia  antes

Carolina Beatriz Ângelo, médica e feminista

Eduardo Lourenço Faria, filósofo e professor

Fernando Carvalho Rodrigues, físico e cientista

Agora mando para vós como lembrança e amor

D. José Saraiva Martins sua Eminência Cardeal

Também na Guarda a Torre dos Ferreiros e a Sé

Mais ao alto sobranceiro o castelo sempre leal

 A estátua de D. Sancho, a Praça Velha e a Casa do Bom Café

Até poderia mencionar muitos mais

Tal como Abílio Fernandes, botânico

Pedro Carvalho ator e outros que tais

Álvaro de Castro primeiro Conde de Monsanto

 A socialite senhora D. Lili Caneças

Comendadora e politica a senhora Odete Santos

Com os Egitanienses não há meças

E as judiarias lá por outros cantos

 Para terminar vou falar das praias fluviais

Temos Valhelhas e Quinta da Taberna

Aldeia Viçosa e ainda há mais

Lindas para as moças mostrarem a sua perna

E Videmonte nem é vila nem cidade

È uma aldeia pequenina, onde reina a mocidade

Tens o encanto e a beleza natural

És a aldeia mais bonita deste nosso Portugal.

Gilberto de Paiva

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 28-8-2020

 

Título: Arte Fotográfica na Pandemia

Autor: Lino Solposto

 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 25-8-2020

 

 

Título: Janela da Vida

Autora: Maria Fernanda Rodrigues Martins Gomes

JANELLA DA VIDA

Cores que nascem espreitam a terra.

Lá fora o silêncio é tanto,

E o azul de primavera,

Na janela onde  olho enquanto

Uma  vida adormecida,

De um mundo que não quer cair,

Não deixa a janela dormir,

Em silêncio invadida.

E desta janela espreito,

Operários de sonhos e vida,

Que em primavera florida,

E juntos fazem perfeito.

Não é fácil e é urgente,

Trazer sonhos a mãos vazias,

E dar vida a toda a gente,

Em noites nuas d’alegrias.

A tão nobres  operários,

De hospitais sem dormir,

Que trabalham noite e dia,

Para que o mundo possa sorrir,

Em momentos tão medonhos.

E um desejo tão magoado,

Tornando os nossos sonhos,

Em silêncio acordado.

8 de Abril 2020

Maria Fernanda Martins Rod

 

 


Título: O Tempo dos Melros

Autor: Lino Solposto

O tempo dos Melros

Confinamento, parte não sei qual, podia ser o mote para retomar uma nova série com novos episódios do tema, recorrente, que todos os dias nos alerta, que se estranhou, mas agora bastante entranhado vai condicionando a nossa forma de estar, sentir e viver.

Ainda que, com mobilidade menos reduzida, continuamos inconscientemente a desconfiar de tudo e todos, e qualquer sinal por menos habitual, capaz de gerar incerteza e algum pânico. 

O outono está à porta, e aqui no Oeste os últimos dias são o sintoma de que a terceira estação do ano, pela ordem que me ensinaram, não vai tardar. Os frutos vão amadurecendo, o feijão seco já está na arca, e a rama da batata doce vai fazendo o seu caminho, enquanto o nervoso miudinho aumenta por não ver chegada a hora da vindima, pois a cada dia que passa, diminuem igualmente os bagos, e alguns cachos já foram totalmente despojados, por obra, e sem graça nenhuma, de umas aves pretas e de bico amarelo, que conhecemos por melros.

Experimentem porem-se no lugar de um vitivinicultor, gestor de mais ou menos cem videiras, sei o número exacto mas nem todas ainda dão, contar com aqueles baguinhos, que, sem incidentes não seriam muitos, e ainda ter que partilhar. Que raiva.

O espaço onde está instalada a minha vinha tem um rádio, espantalho, garrafas e garrafões espetados em canas, um catavento espanta-pardais, e esta época, quatro mochos, a última maravilha para meter medo, asseguraram-me. Têm garras afiadas, o bico pontiagudo, movimento de cabeça a qualquer leve brisa, mas estão estáticos e neste momento servem de componente estética do local. O prejuízo não foi total, além de gostar deles, nunca irão estar de baixa, muito menos organizarem-se em sindicato.

Todos os anos há perdas, maiores ou menores, só piso o que eles deixam e só recentemente entendi o porquê dos "meus colegas" do Douro, Dão, Bairrada, e alentejanos mais os cartaxenses nunca se queixarem desta praga. Só aumentando a produção minimizo o problema.

Fui procurar respostas. Estas avezinhas, espécie protegida, se confortável onde nidifica, protegida em sebes, ou árvores de folha perene, terras de cultivo, insectos em profusão, e

bagas em abundância para alimento, clima temperado, até se esquece de migrar, daí a catrefa de melros existente que me atezana nesta altura do ano. Aquele característico tché, tché, tché, irritante, deambulando por entre as cepas, ignorando olimpicamente qualquer "obstáculo" atrás referido, autoriza qualquer falta de remorso, quando na fase de aprender a voar, alguns fazem a aprendizagem à boleia, entre os dentes do Charlie, ou quando este farejando algo dentro de um arbusto, resolve, mesmo que sem mandato, embargar a obra clandestina, porque sem o seu beneplácito. Está comigo desde que desmamou, trabalha, agora menos, já faz mais pausas para dormir. Compreendo.

Nas pesquisas encontrei um poema maravilhoso de Guerra Junqueiro, e que anda à volta de um melro que deu cabo do juizo a um padre-cura, e que começa assim:

O melro, eu conheci-o:

Era negro, vibrante, luzidio,

Madrugador, jovial

Logo de manhã cedo

Começava a soltar, dentre o arvoredo, . . . . . . ( o resto, procurem ).

A minha guerra com eles, os melros, está para durar. Desistir de tentar fazer um vinhinho está fora de questão. 

Assim vai decorrendo o tempo, até que surja outro tempo, e entretanto tratemos de dar tempo ao tempo, porque como no provérbio, atrás de tempo, tempo vem.

Abraço, Lino Solposto


Título: O Lugar Onde Nasci

Autor: João Batista

O LUGAR ONDE NASCI

Nasci num bonito lugarejo chamado Vidigal, na freguesia de Estreito, concelho de Oleiros, distrito de Castelo Branco.

Da origem do nome pouco se sabe; Vidigal há muitos, o mais próximo dista cerca de quinze quilómetros, o mais distante, ou perto disso, é uma famosa favela do Rio de Janeiro. Quem sabe se a origem do nome da minha aldeia terá sido o apelido do primeiro ou primeiros povoadores do lugar!

Com a serra do Muradal ali tão perto, desenhando a linha do horizonte em todo o lado nascente e fazendo parte do Trilho Internacional dos Apalaches, a minha aldeia caminha a passos largos para a desertificação humana.

Este Trilho estende-se do norte da Europa à América do Norte, passando pela Península Ibérica e norte de África. O percurso português foi inaugurado em Março de 2015.

Com a desagregação do super continente Pangeia, ocorrida há centenas de milhões de anos, segundo a teoria da deriva dos continentes de Alfred Wegener, a zona de Vidigal, Estreito e Oleiros, até então vizinha das zonas de Nova Iorque e Boston, deixou de o ser.

Veremos por quanto tempo se mantém este afastamento, pois já se fala numa reversão, melhor dizendo, numa agregação dos continentes.

Atelier de escrita e leitura

João Batista

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 23-8-2020

 

Título: Arte de Renda na Pandemia

Autora: Maria Fernanda Calçada

 
 
 

 
 

 

   

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 21-8-2020

 

 

Título: Esperança

Autor: António Henriques

ESPERANÇA

São duros estes tempos que vivemos

Exigindo de nós grandes mudanças

Mas só unidos, o mal venceremos

Renovando em todos as esperanças.

O nascer e morrer é natural

Em tudo que no Mundo é ser vivente

Mas só se vencerá todo este mal

De forma cautelosa, inteligente.

Seguindo com rigor as instruções

Que são por todo a lado difundidas

Tomando as devidas precauções

Para assim se poderem salvar vidas.

Desde os primórdios da humanidade

Que todo o ser humano anda a lutar

Grande parte do tempo, na verdade

Andou seus semelhantes, a matar.

Então se uns aos outros nos matamos

Porque ficamos tão admirados

Por este vírus causar tantos danos

Se por nós, tantos foram, já causados.

E se nem na desgraça aprendemos

Que a força da união é essencial

Desunidos, batalhas perderemos

Ganhando este inimigo, no final.

Esta doença que agora grassa

E que afecta apenas os humanos

Com a união de todos, logo passa

Mas deixa, duros e pesados danos.

Mesmo com ameaça tão mortal

Pendente sobre toda a humanidade

A unidade, que era essencial

Tão pouca ela é, na realidade.

E às guerras acesas pedem pausas

P’ró novo inimigo combater

Esquecendo diferenças e as causas

Que as fizeram a todas acender.

Depois do inimigo ser vencido

E tudo ter voltado ao seu normal

As guerras não farão qualquer sentido

Tendo que se dar fim a esse mal.

Sei que o poder do vírus é imenso

Disso tenho a certeza, sem engano

Mas acredito em nós e digo e penso

Maior é o querer do ser humano.

A tempestade um dia vai passar

Soprando a doce brisa da bonança

Mas tem a humanidade que mudar

Dando ao mundo amor e esperanç

ANTÓNIO HENRIQUES

MARÇO 2020


Título: Laços de Primavera

Autora: Luísa Faria

Laços de Primavera

28 DE MARÇO DE 2050

Depois de um Inverno rigoroso, finalmente, a Primavera tinha chegado, com todo o seu esplendor.

Cerejeiras floridas, cobrem toda a paisagem com um lindo e majestoso manto branco. Em todo o pomar, a natureza revela-se de uma beleza incrível, quase angelical e surreal, em cores suaves.

Caminho, lentamente entre as veredas de erva verdejante, tendo como companheiros de percurso, coloridas borboletas e alguns pássaros. Aprecio cada momento, e mesmo devagar, no meu peito, o coração bate irregular devido ao esforço que lhe é imposto. Na mão direita, seguro a bengala, que me auxilia a equilibrar, esperando eu que ela não se engane no caminho, e que eu tropece e caia, o que seria desastroso, e ao qual a minha filha, logo diria:

- Ó Pai! Que falta de bom senso!

Devagar, finalmente chego ao meu destino. O velho banco, que construíra ainda jovem, e que se encontra debaixo da frondosa cerejeira, talvez a mais antiga do pomar.

Já sentado, acaricio, com as minhas débeis e enrugadas mãos, a inscrição gravada de modo simples, a um canto do banco, um coração com duas iniciais interlaçadas, já gastos pelo tempo e pelas intempéries, sentindo um misto de nostalgia, ternura e saudade. Em meu redor um silêncio, que não é silêncio, pois toda a natureza fala a sua própria linguagem.

No ar, impera um cheiro aromatizado e doce das flores das cerejeiras, uma leve brisa faz dançar as flores, fazendo voar pétalas, que suavemente vão caindo sobre mim, parecem pedir, que eu as segure para que não caiam no chão. Sorrio, abro e fecho os meus olhos, como se fotografasse, aquele momento, quase solene, para que fique guardado na minha memória para sempre. É como se existisse uma simbiose entre mim e a cerejeira, em que não é preciso dizer em voz alta, que é o prenúncio da nossa despedida. Pois é certamente a última Primavera que passamos juntos. Ela, a cerejeira, no seu melhor toda florida, e eu no limiar da minha longa vida.

Entre os meus devaneios, oiço ao longe a minha neta a gritar com toda a força dos seus pulmões de criança, perguntando:

- Avô, posso ir ter contigo?

- Podes. Disse-lhe, mas quando me virei já ela estava ao pé de mim!

- Leonor, se a tua mãe sabe que estamos aqui em cima, vamos os dois ficar de castigo! Disse, rindo.

- Não faz mal, avô. Respondeu, colocando carinhosamente os seus bracitos á volta do meu pescoço. Os seus olhos castanhos luminosos, iguais aos de sua avó Leonor, a minha amada esposa, realçavam o seu rosto, muito branco, mas agora um pouco mais rosado, resultante da corrida que acabara de fazer, para vir ao meu encontro. Trazia o seu longo cabelo preto, entrançado preso com uma fita de cor vermelha, a tiracolo uma pequena bolsa de onde rápidamente tira um livro, e diz:

- Avô, sabes que dia é hoje?

Como se eu não soubesse! pensei, mas ela continuou…

- Avô, hoje na escola, a minha professora ofereceu a todos os seus alunos este livro que ela diz ser muito importante, pois nele está escrito todos os acontecimentos que ocorreram no nosso país no ano de 2020, e em especial neste dia, razão por que ela o ofereceu hoje. O livro, fala de uma pandemia provocada por um vírus, muito mau que viajou por todo o mundo, inclusive o nosso país e que se chamava Covid-19, da família do Coronavirús.

Recuei ao ano de 2020…

No dia 28 de Março, partia para a eternidade a minha amada esposa. Fazendo parte dos números das estatísticas daquele negro dia, de Março, em que se ultrapassou as cem mortes em Portugal, por infecção do Coronavírus. Muitos dias de sofrimento e morte ainda estariam pela frente até o vírus ser eliminado.

Voltando a MARÇO DE 2050…

Eu tinha sobrevivido, tinha sido mais forte que o vírus, mas não tinha conseguido salvar a minha esposa.

Ainda hoje, não sabia como tínhamos ficado infectados!

Uma lágrima quis descer pelo meu rosto, mas eu não deixei. Não quero chorar à frente da minha neta. Ela ao ver o meu rosto tão sério, sorrindo diz:

- Avô; depois vamos juntos ler o livro, está bem?

Abanei a cabeça, como sinal que concordava e beijei o seu bonito rosto. Peguei em algumas pétalas das flores das cerejeiras, que ainda segurava nas mãos, e disse:

- Querida toma, coloca-as dentro do teu livro para guardares e recordares mais tarde, um pouco da Primavera deste ano. Ela abriu o livro, colocando as pétalas no seu interior e fechando-o, disse:

- Avô está guardada a Primavera, até para o ano.

JUNHO DE 2050

Leonor, subia os degraus da escada que conduzia ao quarto do avô, dois a dois para que mais rápido chegasse para mostrar a sua surpresa, uma cesta cheia de lindas, vermelhas e suculentas cerejas, que trazia para o avô, colhidas na sua cerejeira preferida. Ofegante, Leonor abriu a porta do quarto, e as suas pequenas mãos não foram fortes o suficiente para segurar a cesta, e todas as cerejas rebolaram escada abaixo.

Leonor, olhava para o lugar perto da janela onde se encontrava a cama do seu avô. Sua mãe, ajoelhada à cabeceira da cama, tinha as mãos no seu rosto, escondendo as lágrimas. Leonor logo percebeu. Chegando mais perto do avô, olhando para o seu rosto, carinhosamente disse:

- Mãe, não chores. O avô simplesmente adormeceu, mas continua acordado nos nossos corações.

Perto da cama, algumas pétalas de flor de cerejeira, estavam caídas no chão, Leonor lentamente apanhou uma a uma, colocando-as junto das outras que se encontravam no livro que o avô tinha em suas mãos, o livro que, juntos tinham lido.

28 DE MARÇO DE 2060

Uma senhora e uma bonita jovem carregando um lindo e enorme ramo de flores de cerejeira, caminham juntas, e de mãos dadas, entram no cemitério da pequena aldeia perto do Fundão, na Beira Baixa.

Tinha chegado a Primavera com todo o seu esplendor!

Luísa Faria

Abril 2020


Título: O Impacto da pandemia de COVID-19 - 2020

Autora: Maria Florença Costa

   

UNIVERSIDADE SÉNIOR DE VILA FRANCA DE XIRA

O impacto da pandemia de COVID-19 - 2020

 

Os melíficos e os benefícios da COVID-19

Os malefícios:

Perda de vidas, cerimónias fúnebres restritas, algumas sem acompanhamento de familiares e amigos.

Os profissionais de saúde estiveram na linha de frente da pandemia por amor à bata, por juramento de ética e moral em nome de vida.

Privaram-se da companhia de sua família distanciando-se para não os contaminar saindo das suas casas, do seu conforto familiar. Viveram em vários sítios como em casas particulares, hotéis e caravanas cedidas por terceiros. Algumas vezes alimentaram-se da generosidade da população.

Houve muita solidariedade com estas pessoas tão humanas, que tudo fizeram para salvar vidas.

Vestiram fatos desconfortáveis, usaram materiais de diversas espécies, utilizaram desinfetantes, com mais abundância.

Trabalhando até à exaustão, atualmente sentem-se cansados física e psicologicamente, alguns com problemas de saúde, uns foram contaminados e outros acabaram por falecer com o vírus.

A Proteção Civil, forças militares e militarizadas tiveram que entrar em Acão no combate ao vírus, os bombeiros transportaram doentes com Covid-19 para os hospitais ficando alguns contaminados, tendo que fazer a quarentena nos quarteis, encerrando-os.

A população teve que entrar em quarentena e houve necessidade de mudança no seu quotidiano.

Fecharam empresas, escolas, universidades, tiveram que trabalhar em on-line. Alguns cidadãos sofreram física e psicologicamente com a quarentena, medo da doença, morte e impotência para enfrentar a pandemia, tendo que recorrer a cuidados médicos.

As pessoas mais vulneráveis receberam muito apoio de terceiros no domicílio. Alguns jovens voluntariaram-se, levando alimentos, medicamentos e palavras de conforto a quem mais necessitou, principalmente a quem vivia só.  Muitas consultas de outras patologias, exames e cirurgias foram adiadas.

Os que foram contaminados tiveram menos qualidade de vida, alguns perderam a vida e outros ficaram com mazelas, para sempre ou não.

A maioria dos óbitos deu-se nos Lares de 3ª Idade dado o elevado nível etário dos utentes com outras patologias que os debilitaram ainda mais.

Houve desemprego, fome, tendo que recorrer ao Banco Alimentar, falta de

rendimentos para poderem pagar as suas contas e sustentar os seus, Aumentou o número de sem abrigos e a violência doméstica.

A economia teve uma queda abrupta, o comércio, a indústria e os serviços reduziram repentino e vertiginoso decréscimo a sua atividade.

A Bolsa de valores deixou de funcionar.

Os benefícios

A Pandemia trouxe grandes mudanças e comportamentos a muitos níveis.

Antes de este vírus aparecer, a humanidade falava da poluição, mas, pouco ou nada fazia para reverter a situação.

Com as empresas e as fronteiras fechadas, diminuiu o tráfego aéreo, marítimo, fluvial, rodoviário e ferroviário.

Não houve turismo, assim não houve tanto consumo, diminuindo os resíduos. Com a Pandemia e a quarentena diminuíram, as emissões de gases com efeito de estufa, a poluição, o ruido, o dióxido de azoto proveniente de centrais elétricas, o monóxido de carbono, dos veículos diminuiu substancialmente. 

Melhorou o ar, a terra, os oceanos e os rios.

O ar que respiramos é mais saudável.

A fauna e a flora respiram melhor e reproduzem-se com mais quantidade e qualidade. As águas do mar e dos rios estão mais limpas permitem aos que neles habitam viver mais saudável e a reproduzir-se em mais quantidade e qualidade.

Os nossos amigos golfinhos que habitam o Sado, deslocaram -se até ao rio Tejo para exibir o seu talento aos Lisboetas e também por haver melhores condições na qualidade das águas.

A quarentena fez com que as pessoas ficassem em casa para não contaminar e nem serem contaminadas.

Ganharam-se melhores hábitos de higiene e mais intensos, lavar as mãos, higienizar os produtos, usar desinfetantes, constituíram uma regra obrigatória.

As empresas tiveram que mudar a organização e os métodos de funcionamento, algumas delas reconverteram a sua produção em bens e produtos para a proteção e combate à pandemia.

As pessoas viviam numa azáfama e queixavam-se que não tinham tempo para nada. Neste período tiveram tempo para si próprios, puderam dar atenção aos seus cônjuges, aos seus país e acompanhar os seus filhos no crescimento, nas brincadeiras nos trabalhos da escola e ensinar a fazer lida doméstica.

Quem não sabia limpar, lavar, passar a ferro e cozinhar aprendeu até a fazer máscaras.

Trabalharam on-line, foi mais uma tarefa a desempenhar.

Assim não se enervaram no trânsito, não despenderam dinheiro em gasolina, ou andaram em transportes públicos, não perderam tempo.

Tivemos a perceção do consumo que fazemos desnecessário, havendo pessoas a viver com 1euro por dia e alguns sem nada!

A Pandemia uniu mais as pessoas tornando-as mais solidárias.

Aumentou o interesse por aparelhos eletrónicos e pelas novas tecnologias. Estas ferramentas foram muito importantes como meio de comunicação neste período. Os meios de comunicação social, os telemóveis, os telefones, os computados e as redes sociais deram uma enorme contribuição nesta situação.

Recebemos informação através da comunicação social, da OMS e da DGS, programas de sétima arte que foram muito importantes e animadores, o camião de esperança que circulou por vários locais, os padres que percorreram vários locais com as imagens santas nos andores, as missas emitidas.

Os políticos de todos os quadrantes convergiram no combate deste vírus deixando as suas divergências políticas de lado.

A OMS, a DGS e os governantes fizeram o melhor que puderam e souberam.

Ninguém sabe nada em concreto qual a composição deste vírus, para poder erradicálo.

Os que estiveram em quarentena deram um grande contributo para controlar a pandemia.

Os que tiveram que sair de casa para trabalhar foram grandes heróis.

Agradeço a estes grandes heróis que me permitiram ficar em casa, não deixando faltar nada.

A humanidade convergiu na procura da cura e vacina para combater este Corona vírus.

Maria Florença Costa

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 20-8-2020

 

Título: Arte Fotográfica na Pandemia

Autor: Eliseu Pinto

 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 17-8-2020

 

 

Título: Estado de espirito

Autora: Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

ESTADO DE ESPIRITO

Perante a realidade que estamos a enfrentar, fico muito duvidosa quando oiço na TV, vezes sem conta “Vamos ficar todos bem” e “Fique em casa”.

Ora bem, quanto ao vamos ficar todos bem, falta uma palavra para completar a frase de acordo com a realidade e a palavra é mal, ou seja a frase correta é: “vamos ficar todos, bem mal”. Estou a ser pessimista, eu sei, mas não consigo ser otimista, perante tudo o que se está a passar.

Vamos ser realistas, o vírus Covid-19, apareceu, ou nasceu em laboratório, quem sou eu para afirmar como foi, mas uma coisa é certa, ele está cá e tanto no mundo cientifico, como no mundo médico, há muita coisa que não se sabe e muita coisa que se falou ou fala que se chegou à conclusão que não está correto ou que afinal aquele procedimento não é ou não era correto, ou seja, há muito para se descobrir, até se conseguir debelar o Covid-19, se é que o vamos conseguir fazer.

Mal a todos nós, o Covid-19 já fez, muito mal. São todas as pessoas que já faleceram, são as pessoas que estão nos hospitais a lutar pela vida e as que estão de quarentena em casa. 

Depois há as pessoas que tiveram até agora a sorte de não terem sido contaminadas, mas que estão confinadas em casa e esse confinamento já dura há muito tempo, sim, porque para as pessoas confinadas em casa, um dia parece uma semana, e já se começa a notar saturação e mau estar nas pessoas, até o simples ato de ir às compras, começa a ser um suplicio.

Até quando vamos aguentar isto?

Depois a outra frase, “Fique em casa”…

Ora bem, então é assim, ficamos todos em casa, e vem o Pai Natal e manda pela chaminé, o nosso meio de subsistência, ou seja, o dinheiro para podermos pelo menos, comer e pagar as nossas despesas fixas, era muito bom que fosse assim, mas o Pai Natal não existe, é puro sonho de crianças, e a realidade é muito mais cruel.

Não podemos sonhar e idealizar que vamos “todos ficar bem e vamos todos ficar em casa”.

Continuando a minha análise pessimista, estamos a sofrer com a situação da saúde pública, saúde mental, saúde monetária e com uma total insegurança em relação ao futuro e para meu espanto, já se fala novamente na “Geração à Rasca”, lembram-se? Claro que se lembram, não foi assim há tanto tempo.

Acho que esta Pandemia de tão violenta que é, será falada no futuro e ficará nos anais da História do Planeta Terra.

Bem Hajam Todos e que não venha novamente a “Geração à Rasca”, para bem de todos nós!

Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

Aluna nº 1658

26 Abril 2020


Título: Estimados colegas

Autor: Gilberto de Paiva

Estimados colegas.

Não sei a que horas ou dias vão ser lidas estas  palavras que estou a escrever, mas também não interessa isso o que importa é que quem as leia esteja bem de saúde e sua família também, e que apesar da situação que estamos a atravessar neste momento temos de todos nós acreditar que o sol vai voltar a brilhar e amanhã será outro dia.

Tenho lido muitos textos excelentes mas os da Luísa e Lino tiro-lhes o chapéu que normalmente ponho na minha cabeça.

Sem ser preciso ler o texto do Lino já me estava a lembrar da sra Lagarde com rosto da cadáver (carne dada aos vermes)  não me esquecendo do atual deputado eleito por um partido conservador, assim o chamou o presidente do Governo Espanhol,  e representante dos eleitores do distrito da Guarda. Na altura quando falou dos cabelos grisalhos eu nem queria acreditar.

Falar em casos reais é muito doloroso mas todos nós vemos e ouvimos mentes iluminadas a insinuar e alegadamente afirmar o que eventualmente pode suceder com os mais idosos. Por muito que não queiramos somos levados a acreditar. É como aquele ditado que diz, água mole em pedra dura tanto bate até que a fura.

Não é novidade para ninguém, principalmente para os mais atentos, que em Itália e em Espanha, os próprios médicos tiveram de optar e em Portugal, alegadamente, também já houve insinuações e quem sabe até intenções que estão na gaveta. Vamos ter fé que nós os de setenta e tal ainda valhamos alguma coisa talvez não nas cabeças das lagardes e outros. Para esses não lhe vou desejar o que eles pensam de nós mas gostaria de lhes dizer que o lugar que eles ocupam a nós o devem.

Vou despedir-me com desejo de boa saúde para todos com vontade de nos voltarmos a encontrar tão depressa quanto possível.

Beijos para todos à distância e até um dia

Póvoa de Santa Iria,14 de Abril de 2020-04-14

Gilberto de Paiva

 


Título: Celebrando a Primavera

Autor: António Henriques

CELEBRANDO A PRIMAVERA

Primavera colorida, celebro a tua chegada,

Vieste de sol vestida e de flores, perfumada.

És bem-vinda e desejada, neste novo recomeço,

Ansiosamente esperada, de ti nunca eu me esqueço.

Com dias de chuva e vento, alguns, sem nada mexer,

Uns serão talvez tormento, outros, um doce prazer.

Mas és o tempo das flores, e dos campos verdejantes,

Inspiração de pintores, em quadros tão fascinantes.

És canção para os cantores, és paixão para os amantes,

És também fonte de amores, em regatos murmurantes.

E poetas te louvaram, nos versos que te fizeram,

E a todos nos encantaram, nos poemas que nos deram.

 A paisagem já se altera, em explosão de verde e flores,

E foste tu Primavera, que a pintaste de mil cores.

Renova-se a Natureza e novos seres vão nascendo,

Tanto esplendor e beleza, por todo o lado se vendo.

O céu azul vai ficando, o calor já está vindo,

Os frutos vão despontando, e belas flores vão abrindo.

Os dias são mais compridos, as noites são mais amenas,

Os campos estão coloridos, de papoilas e verbenas.

Assim se renova a vida, nesta bonita estação,

És por mim a preferida, eu tenho por ti, paixão.

António Henriques

Março 2018

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 9-8-2020

 

Título: Artes na Pandemia

Autora: Fernanda Cravo

 

 

 

 
 
 
 

 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 6-8-2020

 

 

Título: A Minha Janela

Autora: Luísa Faria

A MINHA JANELA

Em tempos de isolamento fiz da janela do meu quarto um portal para o mundo exterior. Os meus olhos perdem-se no verde da relva do jardim procuro no verde, o verde esperança para me dar alento para continuar nesta minha falta de liberdade. Nas árvores do jardim, as folhas dançam ao som do canto afinado dos melros, que todas as manhãs me concedem um concerto privado, com as suas melodias preferidas. Hoje a manhã despontou, envolta numa auréola de cor laranja, trazendo um radioso sol e um céu de um azul único inundando de luz a minha janela e até uma borboleta voando espreitou dando-me os bons dias.

Mas os meus olhos verdes perdem-se olhando o horizonte querendo mais.

Abro a janela, deixando o sol entrar, permitindo que acaricie a minha pele ao sentir o seu morno e suave toque, é como se recebesse aquele abraço tão desejado, carregado de saudades, e o meu coração ao sentir aquele calor fica feliz fazendo brilhar os meus olhos que por momentos fecho.

Imediatamente, esqueço a razão de não ter liberdade.

Vejo-me agora fora da minha janela, caminhando num silêncio que á muito não encontrava em mim Vejo a minha paisagem preferida, o meu sítio as minhas terras sinto a erva macia, humedecida pelo orvalho, das noites de Primavera nos meus pés descalços. Abraço as minhas árvores, ouvindo com o coração, o alegre chilrear dos pássaros que se acoitam nas altas copas das frondosas árvores centenárias oiço o murmúrio das águas puras e cristalinas correndo entre as pedrinhas gastas pelo tempo, debaixo da velhinha ponte romana, da ribeira. Vejo as borboletas não terem medo do vento, vencendo-o, para poderem beijar as flores uma a uma provo as amoras silvestres, pedindo desculpa de as colher. É a Primavera plena de liberdade na natureza onde cores e cheiros se misturam.

Finalmente respiro o ar que existe para além da minha janela. Vejo-me num mundo onde a Primavera ainda tem arco-íris sem algemas.

Pura ilusão!!!!

O cantar dos melros, trazem-me de volta à realidade à minha janela onde encontro o vazio que nos últimos tempos tenho tido como companhia. O dia passa trazendo a tarde e depois a noite depressa a escuridão envolve a minha janela. Acendo a luz, ficando no vidro da janela apenas o meu reflexo.

Deito-me na cama esperando que o sono não demore a chegar, chama-me amanhã um novo dia e com ele renasce para mim a esperança que tudo irá passar. TUDO IRÁ FICAR BEM!!!!!

LUISA FARIA

Maio 2020

 


Título: O Antes e o depois

Autora: Maria Fernanda T. Calçada Henriques

O antes e o depois

E a vida decorria serena, rotineira, com os pequenos problemas mais ou menos facilmente resolvidos; havia convívio, demonstrações de afetos despreocupação no modo de nos darmos com os outros…

Uma doença, desconhecida a nível planetário, acabou com aquilo que tínhamos como certo, trazendo o medo e dúvidas que tardam em ser esclarecidas.

Buscando a resiliência que cada um tem em si, temos que seguir em frente, com novos hábitos, é certo, mas a vida tem de continuar da melhor maneira possível, e, se não puder ser como antes, pois vamos viver o depois tirando partido do que temos.

Não temos aulas na Universidade? Pois vamos aderir às reuniões pelo Zoom. Não é a mesma coisa, pois não?! Não, não será, mas ainda assim, vai permitir que nos encontremos virtualmente e constatarmos que estamos prontos para abraçar os projetos que, desejo veementemente, venham a aparecer

Maria Fernanda T. Calçada Henriques

 


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Título: Socorro! Acudam aos idosos

Autor: Lino Solposto

Socorro! Acudam aos idosos

Estando a maioria neste vale de lágrimas,  pela informação que vou vendo e ouvindo, em que toda a gente opina, ou tem algo para dizer, desde especialistas, mais ou menos apetrechados até aos denunciantes de actos de toda a espécie, que o senso comum ou simplesmente eles, acham não serem adequados ao momento, até aos chamados sindicalistas produzidos nas máquinas dos partidos e que encontram nos sindicatos tempos preciosos de folga e lazer, até completarem o tempo da merecidissima reforma.

E isto porquê? Por causa, dizem, duma estirpe, vale que aprendemos sempre, independentemente da origem boa ou má que a causou, e que resumidamente, daí a perigosidade da criatura, reside em todo o lado, é omnipresente, sem qualquer analogia ao que quer que já  tenhamos ouvido sobre o adjectivo. 

Já o encontraram em chaves, latas de atum, maçanetas de portas e nos botões dos vídeos de porteira, nas roupas, malas, dinheiro em forma de papel ou moeda, caixas de MB, etc. etc. etc.

Estará a humanidade condenada? Já nos disseram de tudo e o seu contrário.  Num determinado tempo, talvez o da desvalorização, que máscara e luvas não tinham qualquer efeito prático, para agora já admitirem serem vitais para a contenção. 

Então, e os idosos, quando é que entram nesta história? É contraditório, pois se a esperança de vida cada vez é maior, se após a reforma em regra se vai vivendo cada vez mais tempo, se hoje as indústrias do lazer e saúde estão cada vez mais pujantes, os governos vão experimentando cada vez mais dificuldades em acomodar reservas para compromissos assumidos pela via geracional, até por força do gritante desiquilibrio demográfico. 

 A senhora Christine Lagarde, não acreditamos que estivesse a falar de si, disse-o há pouco tempo, alto e em bom som, só que depois escondeu a mão, e todos ainda terão na memória a referência à peste grisalha, como sendo a causa de todos os males do país e do mundo dito civilizado. Sobre este assunto, quase que me atreveria a dizer que foi graças aos que hoje ostentam aquele denominado epíteto, que se construiu uma das melhores e mais consistentes gerações, e a talhe de foice, só por exemplo, porque os há, aos milhares, e noutras áreas, o nosso compatriota enfermeiro em terras da queen Elizabeth. 

Mas, o que me levou a escrever foi ter ouvido, primeiro quase em surdina, agora num tom com uma certa solenidade, que se preparam para encaixotar quem tem mais de setenta anos por uma catrefa de meses, numa primeira fase até ao fim deste ano. Sugerido pela madame Úrsula Von der Leyen, presidente da Comissão europeia, como medida profilática até que haja vacina que imunize esta franja da comunidade. 

Apesar de ter ouvido dizer, em confinamento estou privado de contacto, que existem enfermos de outros escalões etários, o que me sossegou foi saber que o nosso excelentíssimo presidente não ia suportar tamanho isolamento, por mais aprazivel que fosse o local da estadia. Iria por certo prevaricar,  e abriria a porta aos outros.

 Fiquei com mágoa de não vos proporcionar, caros colegas, um texto tão conciliador e optimista, quanto foram os da Maria José ou o sonho da Luísa Faria, porque, embora conformado com a situação, e crente nas pessoas que terão alguma autoridade na matéria não obstante alguns comportamentos ziguezagueantes, por desconhecimento do desconhecido, passe a redundância, esta hipótese aventada pela senhora da CE, as ideias não saiem do nada, mexeu com o meu programa pós estado de emergência, já este, tão, mas tão longo, que só espero, tenha servido para alguma coisa.

Também para alertar. Não conheço grande maioria dos meus caríssimos colegas, e das idades muito menos. Palpito, que dois ou três estarão com uma hipotética guia de marcha, se concretizada aquela ideia. Um órgão de CS, já começou a trabalhar no tema, jogando na antecipação, com consulta a um psiquiatra/psicólogo, querendo saber das sequelas que este apartamento forçado de filhos e netos poderia deixar, angustiando para já, quem teve a oportunidade de ver e ouvir. Não há muito tempo, algures na Europa o confinamento aconteceu. Ditou-o um indivíduo também alemão, tipo porreiro, de falas mansas, pela força das espingardas.  No nosso tempo o poder consubstancia-se através do dinheiro, e consequente custo, e depois vão-se criando dependências, e depois, bem, sabem o resto.

Pedir desculpa aos que lerem até ao fim. Não fala de esperança, nem de um amanhã risonho. Exagerado? Talvez. Expressei a minha convicção do momento. 

Não sonhava viver uma situação destas. Por inédita, vamos dar por adquirido que é a melhor forma para sairmos disto com poucos danos.

Abraços e beijos virtuais para todos. E por favor, tenham cuidado.

Lino Solposto

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 30-7-2020

 

Título: Artes na Pandemia

Autora: Maria da Luz Rapozo

 

 

 

 
 
 
 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 26-7-2020

 

 

Título: Aqui existe amor

Autora: Arlette Alves de Sousa Pereira

 AQUI EXISTE AMOR

Hoje, estás tão bonita...

Vou-te…levar a jantar fora

Tens uma pele...de “miúda de agora”

Quanto mais os anos avançam

Mais, o nosso amor cresce...

Também, a família aumenta...

Há, tanto amor em nós...

Filhos e netos, nossa…prol cresce

Com muito amor e felicidade; ai, ai nós...!

Hoje, estás tão bonita...

Fazes, me lembrar...quando, eras rapariguita!

Mas, tu...estás muito bem!

A gente, gosta de se divertir...

Dar risadas, brincar...sentir

Não, temos traumas da idade...

Em nós, tudo se conjuga, é a realidade

Duas almas que nasceram...p'ra se amarem

Serem felizes e, crescerem na prosperidade...!

Hoje, estás tão bonita...

O teu olhar é, "doce" e meigo...

Fizeste, um novo penteado...

E, não é.…que é, tão do meu agrado!

Cachopa sessentona, eu me orgulho de ser teu amado!

Temos tantas histórias, vivências...

"Um mundo sem fim"...ciências...

Estamos juntos, somos eternos amantes...!

Hoje, estás tão bonita...

Teus olhos, brilham de contentamento

Não importam as rugas, são a força do tempo!

És, tão linda, tão vaidosa...

Mas eu te adoro e, te doo uma rosa

Mulher sensacional...ainda, me embriagas a voz!

Temos química e ritmamos o prazer...

Ambiciono, contigo...até ao fim, viver

Desculpa-me, se às vezes, fui um pouco indolente

Também, "um pouquinho chato", quando estou doente...!

Hoje, estás tão linda...

Puseste o teu vestido vermelho e sapatos de salto...

Sei, que é sacrifício...apenas, para me agradares

Mas, tu, também gostas de te sentires bonita...

Teu odor, é especial...tu, és incrível

Sempre, me surpreendendo...nosso amor é incondicional e nato!

Ainda, te hei-me, fazer um poema, talvez te cante um fado...!

Hoje, estás tão bonita...

Convido-te, para irmos ao cinema...

Ela/ Pois é, pois é, meu amor...eu, até aceito!

Obrigada João...nós somos um par, p'ra ninguém pôr defeito!

Não, somos rezingões nem rabugentos...

Apreciamos e valorizamos a família… tentamos ajudar

Se, há divergências...tentamos saná-las

Obrigada, pela família que temos: ai, ai amar...

Nós somos, o exemplo e complemento do amor; ai, ai meu João, João, João

Ele/ Margarida, amor, eu te quero muito bem; estás tão bonita, bonita, bonita..!!

 Arlette Alves De Sousa Pereira


Título: As voltas que a vida dá

Autora: Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ

Eu sou daquelas pessoas que acha que todos temos o nosso destino traçado, à nascença, não sei porquê, mas tenho essa convicção.

Durante a nossa adolescência, o período dos sonhos, em que tudo parece fácil, e que vamos realizar tudo aquilo com que sonhámos ou tudo aquilo que gostamos, vamos exercer a profissão que gostamos, vamos ter a casa que idealizámos, etc., mal nós sabemos as voltas que a vida dá…….

 Aos 52 anos fiquei desempregada, a empresa onde trabalhava entrou em insolvência e no dia 2 de Outubro de 2012, ouvi na sala de audiência do Tribunal em Lisboa, a juíza declarar a empresa insolvente e dizer: a empresa está encerrada a partir de hoje e pum, bateu com o martelo na mesa, aquele baque foi como se arrancassem algo de dentro de mim, não queria, gostava do meu trabalho, gostava dos meus colegas e amigos que todos os dias conviviam comigo.

A minha vida mudou radicalmente, de um dia para o outro, fiquei sozinha em casa, tive de aprender a gerir o meu tempo.

O dia nascia, a noite chegava, tudo acontecia normalmente, mas a minha vida mudava todos os dias.

Como nada, é tudo mau ou tudo bom, reencontrei algumas amigas que não via há muito tempo e passámos a encontrarmo-nos e a conviver quase todos os dias.

Os anos passaram, nunca mais arranjei emprego, também já não estava muito disposta a receber ordens de patrões.

Até hoje, muita coisa aconteceu, muita doença pelo meio, morte de entes queridos, mas fui sempre conseguindo dar a volta por cima.

Hoje aos 60 anos, vejo-me confinada em casa, situação algo inédita, para mim e para todos nós, mas é uma situação tão nova, tão surreal que há dias que quando acordo penso: isto foi um pesadelo, está tudo bem, veste-te, vai fazer a tua vida, beber um café com as amigas, vai ao supermercado, mas assim que chego à janela e vejo a rua deserta, não há praticamente ninguém na rua, vejo que não foi um pesadelo, mas sim, é a dura realidade.

Então pensei, vou fazer arrumações, vou ler os nãos sei quantos livros que comprei e que pensava sempre, quando estiver reformada tenho tempo para os ler todos, vou ver as séries todas que há tanto tempo ando para ver, mas tudo vai acontecendo muito lentamente, falta inspiração, falta alegria, falta motivação e acima de tudo, falta paciência. A culinária ainda é o que me dá um pouco mais de ânimo, vou fazendo pão, bolos, sobremesas, receitas novas, enfim, é no meio disto tudo, o que me dá mais alento, para passar as horas.

Não convivo com as minhas filhas desde 9 de Março, altura em que se começou a falar da gravidade do problema, falamos por vídeo chamada, vou a casa dos meus pais só em extrema necessidade e estamos a falar à distância….ao que chegámos! 

Que grande volta, deu as nossas vidas, uma volta muito traiçoeira, desgastante, arrasadora.

Eu pessoalmente não estava preparada para atravessar um momento tão constrangedor, porque além deste malvado vírus que na minha opinião alguém criou, algo que vai destruir a nossa estada no planeta Terra, tudo em prol da ambição humana e consequentemente para o confinamento que estamos a passar, mas há uma outra coisa que eu sinto, que é insegurança, incerteza, desânimo e medo do futuro.

Que vai acontecer?

Como vai acabar?

Será que vai acabar?

Vamos ter de andar de máscaras, a falar com metro e meio de distância da outra pessoa?

Vamos ter de andar a tocar em tudo com luvas?

Até medo de respirar parece que temos…

Tenho muita pena das crianças do nosso mundo, pois penso que para elas o futuro está muito complicado, ou talvez não, talvez esteja a ver tudo negro à minha frente.

Os nossos avós deixaram-nos um planeta limpo, saudável, honesto, e nós vamos deixar às crianças do seculo XXI, um planeta sujo, não muito saudável, e onde a corrupção, se implantou de uma forma transversal ao nosso mundo de hoje. Neste mundo de hoje, onde se criam vírus para destruir tudo e todos, em prol do dinheiro…pura ganância humana.

A Primavera chegou, indiferente a tudo isto, trouxe as andorinhas, os passarinhos andam felizes e entoam os seus cânticos e as flores crescem lindas e perfumadas, como se nada se passasse, não precisam de nós.

O Verão, também não sabe de nada e quando chegar o dia, ele chegará, como sempre o faz, o campo e a praia estarão lá para nós, mas se não formos, eles lá estarão felizes, porque eles não sabem de nada e não precisam de nós… E Nós, de que precisamos? 

Talvez, aprender a viver, a respeitar, não só os seres humanos, mas respeitar os animais e a nossa Mãe Natureza, porque Nós é que precisamos deles, eles não precisam de Nós.

Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

Aluna nº 1658

16 Abril 2020


Título: Brindo à vida

Autor: António Henriques

BRINDO À VIDA

Brindo à vida, erguendo a minha taça, nestes momentos difíceis que vivemos.

Brindo à vida, olhando as ruas que são tão tristes e vazias, sem ela.

Brindo à vida, tendo saudades de ver crianças a brincar nos parques e jardins, para nos aquecerem as almas com os seus sorrisos.

Brindo à vida, embora querendo mas não podendo, abraçar todos os amigos e familiares que estão em casa confinados, como eu.

Brindo à vida, conhecendo a terrível ameaça que pesa sobre toda a humanidade.

Brindo à vida, em comunhão, com todos os companheiros que perderam as suas vidas na frente da batalha.

Brindo à vida, com profunda gratidão, pela bravura daqueles soldados que estão na linha da frente do combate, também, por todos os outros que são essenciais e apoiam a rectaguarda.

Brindo à vida, mesmo sabendo que a luta é dura e difícil, mas tendo a certeza que vamos ganhar, porque o homem é maior que o seu próprio medo.

Brindo à vida, sempre que a noite me traz frios e horríveis pesadelos.

Brindo à vida, mesmo não sabendo quando a irei perder.

Brindo à vida, sem saber sequer o que o amanhã possa trazer.

Brindo à vida, embora vendo que esta, que deveria ser a melhor altura para todos estarem unidos, certos países não o querem fazer. Este é o tempo de dar e partilhar e não de dividir.

Brindo à vida, esperando que todos possam aprender com os erros cometidos e que o futuro possa ser melhor, mais justo, mais feliz.  

Brindo à vida, hoje, amanhã e sempre, erguendo a minha taça a transbordar de esperança, pedindo que todos me acompanhem neste brinde, dizendo-vos, que mesmo nas piores circunstâncias, a vida encontra sempre um caminho para prosseguir.

                       BRINDO À VIDA

ANTÓNIO HENRIQUES

MARÇO 2020


Título: O que te faz feliz

Autora: Arlette Alves de Sousa Pereira

O QUE TE FAZ FELIZ

Há tanta coisa, tanta coisa…  

Pequenos nadas, me satisfazem

Basta um olhar, um sorriso, um aceno…

Coisas simples…me dão prazer

Olhar, cheirar uma flor…

Um beijo, um abraço de amor

Uma orquídea “me olhando”, no seu simples existir…

Um olhar de criança…me sorrindo

Um grito de amor, para além da conta; ai, viver…!

Há tanta coisa, tanta coisa…

Um simples passeio à beira mar…

Um refúgio no silêncio, para meditar!

Uma canção, um beijo ao luar…

Um campo colorido, parecendo a mais linda tela…

Banhos de mar, adormecer, sonhar…    

Uma roupa nova, mesmo “a matar”

Uma ida ao cinema, teatro, jantar…

Boa cavaqueira e um belo, licor a saborear…

Pessoas bonitas, que se deixam amar…!

Há tanta coisa, tanta coisa…

Eu, quase não as sei decifrar…

Manta de retalhos, bordados a preceito…

“O chamar, d’um coração” a meu jeito

Um poema, me inebriando a alma

Gente boa, pacata…calma

Ai, meu Jesus…vós, estais na cruz

“Fruta madura” …alguém, que me seduz

Metro a metro… “alcateia de lobos ferozes”

Armadilhas da vida, querendo comer as nozes” …!

Há tanta coisa, tanta coisa…

Que eu queria eternizar…

Desde o nascer…até, um dia findar (morrer)

Coisas belas, coisas minhas…coisas

Um sonho de menina, num afago de mulher…

Beijada ao entardecer…

Nos braços do homem…que “a faz viver”

Entre “nuvens e loucuras”, mas também de pés no chão…

Rosas vermelhas, cor da paixão; ai, ai paixão…!

Há tanta coisa, tanta coisa…

Que, me apetecem dizer…coisas

Ter saúde, ter trabalho, ter amor, família e amigos!

Viajar no tempo, com todos os mais queridos

Ser feliz e dar felicidade aos demais…

Sentir-me útil, fazendo feliz alguém

“Doces palavras”, risos e lágrimas…mãe

Obrigada à vida, aos sonhos, realização…

Obrigada, obrigada Senhor: sou feliz, sou feliz, feliz…!!!!

Arlette Alves De Sousa Pereira


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 15-7-2020

 

Título: Pinturas em Tela

Autora: Aida Matos

 

 

 

 

 
 
 
 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 13-7-2020

 

Título: O Que Me Faz Feliz

Autor: Eliseu Pinto "O Gralha"

O QUE ME FAZ FELIZ

É, o deslumbre de petiz

Correndo atrás de borboletas

Com que me envolvo

Nas cores da primavera

Deixando as obsoletas

E dogmáticas cartilhas

Como suportes da prateleira

Onde poiso, o vaso das maravilhas.

Pois, quer se queira, ou não queira

O mundo vai sempre rodando

Ainda, que por vezes, recuando.

O que me faz feliz

É sair, do não crer, acreditando

E libertar-me da capsula do tempo

Planando no céu, dum lindo sorriso

Escutando o eco, do “grito do Ipiranga”

Propagando-se pelas quebradas

E sentir-me aconchegado, pelas fadas

Que me envolvem nos seus véus

E me levam, pelos caminhos do bosque.

E agora mais terra a terra, digo:

O que me faz feliz

É colher limões.

Sim, colher limões

E olhar, a bela fruta, como a tosões

Não de ouro; mas, de saúde.

E também me faz muito feliz

A alegre reunião anual

Da família, em minha casa

No dia de Natal.

O que me faz feliz

É estar com amigos a petiscar

Beber uns copos, cantar

E porque não, dizer umas parvoíces.

E animar os mais idosos, que estão nos lares

Com poemas e cantares

E receber, a ambicionada paga de sorrisos.

O que me faz feliz

É ver que há jovens a crescer

Já tão, ou mais adultos, que os adultos

Conscientes

De que o planeta terra, precisa de humanos

Responsáveis e inteligentes.

O que me faz feliz

É ter, a alegria de poder

Estar feliz, porque a vida

Me convida a viver.

Eliseu Pinto  “ O Gralha “  02/03/20


Título: O Que Me Faz Feliz

Autor: Gilberto de Paiva

O QUE ME FAZ FELIZ

Só o título da epístola sobre o qual eu vou escrever já me faz feliz. A palavra feliz está associada à felicidade, por isso, quando se é feliz é sinal que há felicidade sendo assim são da mesma família e para se ser feliz tem de haver motivos para se procurar a felicidade.

Falando de mim próprio, faz-me feliz ao lembrar-me do meu passado quando era ainda muito jovem. Provavelmente há de haver alguém no local onde se vão ler estas duas páginas, e digo isto porque pode haver mudança de sala, que já leu algo sobre mim quando eu não era feliz.

 Ora aqui está faz-me feliz lembrar o que passei quando nem sequer tinha onde dormir e agora ter uma casinha para mim e minha mulher, a Rosa, onde foi criado e educado o nosso filho saindo de casa para a vida tal e qual como os passarinhos quando deixam os ninhos que os seus progenitores construíram para ali se criarem e aprenderem a voar.

Faz-me feliz na hora em que os meus netos me encontram ou me vão visitar, por agora acompanhados dos pais, e que, na minha maneira de ver estão a ser educados, não exatamente como a Rosa e eu educámos o Paulo mas ele e a Anabela fazem os possíveis para lhe incutir no espirito de que têm de respeitar os seus semelhantes a fim de eles serem respeitados também, mas nunca deixando que alguém os humilhe.

Faz-me feliz viver a vida intensamente apreciar o que há de belo e a beleza que a vida nos dá desde ver as serras, a água a correr pelo seu leito, as bonitas paisagens principalmente na primavera quando os campos estão floridos enfim uma infindável maneira de ver, ter amigos, daqueles do peito, aqueles que eu escolho, sim porque eu escolho-os, embora se diga que os nossos amigos outros amigos têm, mas também se diz que quem não arrisca não petisca. Apesar do que atrás disse vale a pena ter amigos para que tenhamos um pouquinho de vida social a não ser que estejamos nesta vida por ver a estar os outros.

Faz-me feliz lembrar e dizer por onde ando que fiz parte dos Órgãos Sociais da ARIPSi, Associação de Reformados e Idosos da Póvoa de Santa Iria, como voluntário durante dez anos, primeiro como vogal da direção depois como secretário e mais tarde como vice-presidente. É sempre agradável darmos algo de nós para bem da sociedade foi o que eu fiz não o digo com vaidade mas sim com um bocadinho de orgulho de dever cumprido.

Como sou humano faz-me feliz pensar também nos outros, naqueles que não têm um teto, nos que são abandonados pelos seus parentes mais próximos, nos que por vezes nem direito a uma sopa quente têm e que os nossos governantes por muito que prometam esquecem-se facilmente disso. Para fundamentar esta afirmação que escrevi neste parágrafo lembrei-me do que se está a passar com a migração na Europa. Parece uma contradição, mas o que eu quero dizer é que há uma antítese entre ser feliz e ver tristeza nos que atrás falei apoiada num sentimento profundo.

Faz-me feliz ter uma mulher que me ama e que eu amo ao mesmo tempo. Uma esposa que gosta de me ver bem, que gosta que eu me apresente devidamente perante os que me rodeiam e com as pessoas com quem contato. É bom ter alguém que gosta de me ver bem e isso faz-me feliz saber que há cumplicidade entre nós.

Faz-me feliz saber que lido e confraternizo com muitas mulheres e que fazem plena confiança em mim. Por exemplo tenho uma garagem que dista seiscentos metros da minha residência, local onde eu guardo o meu carro, e por isso passo muitas vezes por baixo das janelas de algumas dessas senhoras e são elas que me dão a salvação dizendo bons dias ou boas tardes Sr. Paiva consoante as horas que ali passo ou quando estava na ARIPSI e transportava as utentes ou o grupo coral e teatral da instituição enquanto alguns homens riam e troçavam dizendo como eu ouvi várias ocasiões, lá vai o Paiva com as sua virgindade, é lógico, que era um ato de gozo, ao mesmo tempo que me faz feliz dizer que não rompo as calças nos bancos dos jardins.

Todos nós, incluindo-me a mim próprio, podemos ser felizes cada um à sua maneira nem é preciso haver muita exuberância. Basta que sejamos nós mesmos, que utilizemos um léxico humilde, para transmitirmos o que nos vai na alma, aos que nos rodeiam e com os que lidamos.

Para terminar, faz-me feliz saber que a Igreja da aldeia onde eu nasci e vivi até os meus vinte anos, vai passar a ser uma aldeia histórica de Portugal e porquê? Porque recentemente a Direção Geral do Património Cultural abriu o procedimento de classificação da Igreja Paroquial de Videmonte concelho da Guarda. Na proposta a D. G. P.C. Explica que o templo está localizado na praça central rodeado por alguns dos principais edifícios da povoação, nomeadamente, a casa paroquial e a junta de freguesia. Trata-se de um templo de uma só nave de planta em cruz latina construída em estilo barroco. No exterior apresenta a fachada principal rebocada e pintada terminada em cornija recortada à laia de frontão curvo e ondulado coroado por cruz latina de cantaria. O interior entre outros elementos destaca-se a abobada principal em madeira, pintura em tábua e tela que reproduz a obra de Murillo. Recentemente foi descoberta uma pintura mural no altar das almas consagrado a S. Francisco de Assis.

Ao escrever esta passagem, quem me conhece e sabe de onde eu venho, pode parecer uma contradição, olhando ao que lá passei, mas os tempos mudaram e recordar é sempre bom.

Resumindo e concluindo. Faz-me feliz ser quem sou, preciso, conciso sem que para isso tenha de ser erudito.

Póvoa de Santa Iria,07 de Março de 2020

Gilberto de Paiva


Título: O que me faz (ou fez!..) feliz

Autor: Emílio Duarte

O que me faz (ou fez!..) feliz.

Quando era miúdo e mais tarde, já rapaz, era feliz sempre que podia frequentar a biblioteca pública do bairro onde residia. Era lá que me sentia “enorme” a folhear jornais, revistas e livros que me ajudaram a crescer.

Quando jovem, sentia-me feliz e hoje recordo com alguma saudade, os bailes numa colectividade popular de bairro onde juntamente com amigos, ensaiámos e praticámos os primeiros namoros.

As praias, o mar, foram desde muito novo, o meu porto de abrigo. Começava cedo o meu verão, logo por volta de Abril. Acampávamos nesses dias e só findávamos no final de Setembro. Eram fins-de-semana e férias no local sagrado. 

Normalmente estamos felizes, mas poucas são as pessoas que estão/são felizes. De facto, existem diferenças entre as duas condições.

Estar feliz é um momento efémero em que vivemos, após solucionarmos um problema que nos tirou grande parte do nosso sossego.

Para sermos feliz só precisamos aproveitar o que temos.

É inevitável que este meu pensamento passe por referir alguns aspectos que desde logo me preocupam e levam a reflectir, como o farei a seguir:

A vida de uma pessoa sem condições minímas para sobreviver na Índia, no Bangladesh, em África, ou ainda, habitantes em campos de refugiados, estão felizes?

Mais, estar feliz é viver permanentemente na miséria em bairros de lata, passar fome, ter doenças sem assistência médica ou social, sem habitação condigna, pergunta-se?

Tais faltas de condições, fazem alguns seres humanos felizes, volto a perguntar?

No entanto e indo ao encontro do tema, que nos é proposto, o que me faz feliz é estar com a família, não estar doente, ter e ver amigos, ler, escrever, ver chover estando á janela, apanhar sol, ver concertos de música, viajar e tantas outras coisas…

Sou feliz quando tenho por perto o meu filho e os meus netos. Infelizmente a angústia de muitos de nós, pela ausência forçada ou necessária, motivada por uma vida melhor dos nossos rebentos, limita-nos essa felicidade.

Fui feliz e continuo a ser com o crescimento do meu filho e mais tarde dos netos. Quando tenho oportunidade, assisto aos treinos e jogos do meu neto mais velho e vou passear e levo à escola, a irmã. O problema é só um: a distância que nos separa…

Apesar de falarmos do nosso presente “ o que nos faz feliz”, as viagens em trabalho tornaram-me feliz porque me ensinaram estratégias e aprendizagens que me foram úteis na vida profissional passada. Por esse motivo, também fui feliz a trabalhar.

Porém e de volta ao presente, existem situações na vida em que não estamos felizes, muito pelo contrário ficamos triste, com agonia, magoados e de certa forma a chorar. No entanto no nosso interior existe uma felicidade tamanha e uma crença que esse “mal” seja passageiro. 

Uma pessoa pode estar feliz, mas não necessariamente alegre. Há pessoas que vivem a sorrir, parecem contentes, mas mesmo assim não se consideram felizes. Por isso, sejam felizes!

Emílio Duarte

9/2/2020


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 10-7-2020

 

Título: Artes na Pandemia

Autora: Inês Martins

 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 8-7-2020

 

Título: Como Surgiu o Víros Mundial

Autora : Maria José Domingos

Como surgiu o vírus Mundial

Estava a passar a ferro quando me surgiu uma luz, e assim vou partilha-la convosco.

Como surgiu o vírus Mundial?

Eram 5 horas de uma manhã quente,  pois naquela época em Deli, os termómetros raramente baixavam dos 42 graus Celcius, e por isso uma mulher jovem já nadava na piscina do hotel.

Fazia-o sempre que tal acontecia, pois só àquela hora podia nadar na piscina do hotel,  ainda não havia ni ninguém,  e não o podia fazer quando outros estivessem presentes.

Entregava-se ao ligeiro fresco da água, quando sentiu um ligeiro ondular na piscina, e não havia vento. Todo o seu corpo ficou alerta, parou de nadar, Olhou em volta e viu-o.

Assustou-se e saiu imediatamente da água, apesar de estar vestida do pescoço aos pés, sentia-se nua, e correu para a toalha que pousara na espreguiçadeira.

Enrolou-se completamente, e pegou no vestido comprido.

Mas, para seu espanto pousado no vestido, estava um gracioso ramo de miosótis.

Lindo, perfumado, com as pequenas flores ainda quase todas fechadas, que fazer? Como tinha ido ali parar? Teria sido o seu companheiro de piscina?

Olhou discretamente, e viu que quem nadava descontraidamente era um homem ocidental, talvez americano ou inglês, poderia ser um europeu em negócios de meia-idade, teria 60 anos?

Tinha dificuldade em calcular a idade de outros seres que não os indianos.

Agarrou no pequeno ramo e aspirou o seu perfume único, nunca ninguém lhe tinha oferecido uma flor, e agora tinha ali um raminho das suas flores preferidas, que fazer?  Levá-lo?  E depois? Teria que o esconder, pois não acertaria nas justificações.

A tentação era grande, aspirou novamente o perfume, ainda a pensar.

Mas, dentro de uma flor do pequeno ramo, uma figura invisível saltitava e gritava, podia dizer-se que "berrava a plenos pulmões ", leva-me.  E estava a ficar assustado com a indecisão da jovem mulher. E com uma jogada de mestre, pulou com mais força para que a flor ao seu lado se abrisse ligeiramente e soltasse mais um pouco o seu aroma.

Assim aconteceu.

O raminho instalou-se tranquilo no bolso do vestido largo.

Foi para o quarto, fez as malas e preparou-se para partir com o seu esposo para mais uma viagem por vários países.

Primeira paragem uma grande cidade na China, nem sabia o nome.

Verificou as flores que tinha guardado num saquinho leve de algodão, estavam mais abertas, e deixou-as um pouco na casa de banho de outro hotel para saciarem a sede.

Ali ficaram uns dias, podia nadar na piscina a horas mais tardias e apreciava os passeios que fazia no parque perto, onde muitos residentes, alguns já de certa idade vinham todos os dias fazer a sua ginástica matinal, e trazer a sua ave para confraternizar com as outras.

E, chegou o dia de abalar para outras paragens, iria um pouco mais longe, Passaria pelo Irão, depois iriam uns dias para Itália, país que lhe provocava muito desconforto e ansiedade, pois pelo que tinha lido era muito diferente do seu.

E o pequeno ser que estava na flor?

Pois esse pequeno ser saltou para a mão do funcionário do primeiro hotel, lá na China e depois para o seu companheiro de transporte público, mas como atrevido e mauzinho que é, deixou de estar sozinho, arranjou um exército e começou o seu ataque a todos o que apanhava desprevenidos.

E assim o vírus ia passando de mão em mão, contente e feliz, ria e continuava saltitando na corrente de ar que paira sobre todos os seres Humanos.

Mas também podemos incluir outros seres.

19 Março de 2020

Maria José Domingos


 

Título: Esperança

Autora: Luísa Faria

Esperança

Envolvi-me num manto de Esperança, protegendo-me do Medo, mas não fui rápida o suficiente e, ele o Medo, aprisionou-me. Nas minhas mãos, seguro um pequeno fragmento, que ele não roubou de mim. Agora sozinha, caminho numa estrada, submersa por uma húmida e densa neblina.

Com os meus passos cadenciados, um depois do outro, cada vez mais rápidos. O meu coração bate descontrolado, quebrando o silêncio calado, acordando os pássaros, abrigados nas frondosas árvores da estrada. Um cheiro a terra molhada paira no ar.

Caminho, por um caminho, que sinto, incerto.

No Mundo, falta a Esperança e o tempo escasseia. E, eu sinto em mim o peso do Mundo.

Atravesso a densa neblina, raios de sol acariciam o meu rosto e aquecem o meu coração.

Parado à beira da estrada, uma figura que já conheço, espera por mim.

Uma figura bastante magra, de longos cabelos e barba brancos e de olhos azuis, tendo no seu rosto, uma expressão de pura serenidade. Veste a mesma túnica de sempre, simples, com uma faixa de cor azul celeste, até aos pés, que continuam descalços.

Tudo em mim mudou. O meu corpo, envolvido em algo muito suave e transparente, flutua numa tranquilidade, sem medo.  

Ele, continua parado e olhando para mim com um olhar de conciliação, pergunta:

- O que procuras desta vez, Luísa?

- SENHOR, peço e imploro a Vossa ajuda, para salvar o Mundo, que se está a desmoronar. Respondi. Ao qual, Ele, com a sua melodiosa voz, respondeu:

- Não achas que é pedir muito, Luísa?

- Sim, SENHOR. Sei que é pedir muito, mas o Mundo precisa de salvação,

 SENHOR. Respondi.

- O que ofereces em troca de tão altíssimo favor?

Eu respondi com toda a minha humildade.

- SENHOR, nada mais me resta senão o Medo que roubou toda a minha Esperança. Ao pronunciar, Esperança a, minha mão iluminou-se, deixando sair do pequeno fragmento, que eu ainda segurava na mão, um brilho de luz intenso.

ELE, ao visualizar aquele intenso brilho, serenamente, diz:

- Luísa, ainda tens tempo. Tens a chave, que precisas para abrir a porta certa. O tempo urge, coloca-a na fechadura e entra.

Sem medo e muito serena, entrei. Um Mundo novo esperava por mim.

Pequenos seres luminosos de asas transparentes, moviam-se a uma velocidade, difícil de acompanhar com os meus olhos.

Depressa fiquei cercada por uma imensa luz, e um dos pequenos seres, voando até mim, diz:

- Toma Luísa. Entregando-me um pote cheio de pequenos pontos luminosos.

Está tudo preparado, Luísa. Depressa, vai salvar o Mundo!    

- Obrigada, ainda disse, mas já todos tinham desaparecido.

Abri os olhos…e uma lágrima desceu pelo meu rosto.

Doeu perceber, que, o sonho que tinha sonhado, não exista.

O Mundo continua num grande e aterrador Silêncio e Sofrimento e precisa de ESPERANÇA para a incerteza dos dias que todos estamos a viver.

O MUNDO PRECISA DE TODA A NOSSA AJUDA.

LUISA FARIA

Março 2020


 

Título: Porque Insistem

Autor: António Henriques

PORQUE INSISTEM

Olhei o mar forte e impetuoso.

Ao contemplar esse imenso azul, chorei. Chorei lágrimas salgadas e azuis como as suas águas. Mergulhei na imensidão que me abraçava, perdi a noção do tempo e do espaço, era um prateado peixe nadando ao sabor da corrente, viver, apenas viver, era o mais importante.

Fui até ao campo. Deitei-me num prado rodeado de flores, multicores.

Meu corpo aos poucos foi-se diluindo, passou a ser composto pelo mundo vegetal que o cercava. Senti insectos que zumbiam há minha volta, o sol que me aquecia e o suave afago do vento, envolto em doces aromas, serenamente, adormeci.

Dirigi-me à floresta. Deixei-me envolver pelo verde profundo do arvoredo.

Minhas pernas lançaram raízes na terra. Meu corpo cresceu, cresceu, rumo ao Céu. Abri os braços e as mãos, deles brotaram ramos e folhas. As aves vieram e pousaram em mim, embalando-me, com seus belos trinados e cantos. Era um gigante, tal como outros, preso ao chão, mas feliz.

Subi ao pico mais alto, da serra mais alta. Senti-me a flutuar, era um floco de neve caíndo, que, junto com outros, íamos formando o imenso manto branco que a cobria. Branco, cor da pureza. Senti-me em paz.

Mas sabia, sabia que tinha que voltar à cidade dos homens. Esse lugar cinzento e triste, apenas alguns oásis verdes, espalhados ao acaso, lhe davam alguma cor. Onde o desespero e a dor tomavam de assalto a vida.Onde a pobreza e a miséria calhavam sempre aos mesmos. Onde as desigualdades eram gritantes e a corrupção imensa.

Também a violência se fazia sentir, quase sempre, contra os mais fracos e indefesos.

Homens, esses ingénuos fabricantes de sonhos. Orgulhosos proprietários de ilusões. Engenhosos artífices do mal. Sómente a ganância e o lucro a qualquer preço, os move.

Homem, o próprio lobo do homem, o seu mais obstinado algoz.

Se a morte em todos é certeza, se existem cores tão belas na Natureza, porque insistem, porque insistem os homens,

Em pintar a vida de negro!

António Henriques

Abril 2019

 

 


Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 6-7-2020

 

Título: Pinturas

Autora: Carmelinda Fernandes

 

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Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 1-7-2020

 

Título: O QUE ME FEZ E FAZ FELIZ

Autora: Maria Fernanda Calçada

O QUE ME FEZ E FAZ FELIZ

Dizem que a felicidade está onde cada um a põe. Ser ou estar feliz, em termos simples, poderá definir-se por Estar bem com a vida. E eu estou bem com a minha; talvez com alguma presunção, acho que sou merecedora do que tenho, e não quero desistir de ser feliz. Falar sobre este tema, leva-me inevitavelmente a um relato intimista. Na vida há ganhos e perdas e eu, como todos, aliás, tive ambos; vi partir pais, parentes, amigos., e como era de calcular não fui feliz nesses tempos. Mas fui feliz na minha infância, fui e sou feliz no casamento, fui feliz no nascimento dos filhos e muito mais tarde dos netos. Tenho a felicidade de ter dois filhos maravilhosos, que nunca me deram desgostos, e estão sempre presentes quando necessários

Recordo bem os dias felizes de quando senti os primeiros movimentos, dos meus bebés na barriga, dos seus nascimentos, das primeiras palavras que balbuciaram, dos primeiros passos, a aventura do primeiro dia de aula…recordo que fui feliz quando íamos de armas e bagagens para o mês de férias na praia, primeiro na Nazaré e depois na Ericeira. Agora, vejo que era uma canseira para mim, mas na altura que feliz que eu andava! Como sempre gostei de viajar, recordo os dias felizes quando, num cruzeiro visitei os fiordes na Noruega; quando na ilha grega de Santorini, num grande grupo, subi encavalitada num burrito (coitado do bicho.) até à sua capital, Fira; também estava feliz quando de gôndola conheci os canais de Veneza, e tantos sítios mais que não enumero, por ficar fastidioso.

Mas também fui feliz, e ainda o fico quando, em família, fazemos piqueniques no campo, atividade que praticamos com frequência. Sinto-me feliz quando por vezes estou em frente de um mar lindo, com ondas mansas, em dias de sol; sinto-me em paz. São pequenas coisas, mas com grande significado para mim. Fui muito feliz quando o meu filho mais velho se casou, e também muito emocionada, pois foi o primeiro “pintainho” a deixar o ninho… Fiquei feliz, anos volvidos, quando, depois de atravessar  um divórcio com duas crianças pelo meio, refez a sua vida, com uma companheira que lhe proporciona uma vida plena e harmoniosa. Quando foi a vez da filha, fiquei feliz, mas, à mistura com o sentimento da perda, visto a casa ficar ainda mais vazia. Fico feliz por verificar que eduquei (melhor dizendo, educámos,) os filhos, de molde a que hoje sejam pessoas integras e realizadas; fico feliz, ao ver que eles próprios estão formando os filhos nos mesmos valores; acho que cumprimos bem o nosso dever. Fico feliz ao ter consciência de que fui, e ainda sou a retaguarda dos filhos, sempre que necessário. Fui muito feliz quando ajudei a criar os meus netos, cuidando deles, até ingressarem nas creches ou infantários. Fiquei feliz, quando, depois de tempos de ansiedade e sofrimento, algumas doenças preocupantes foram superadas com sucesso. E fico feliz, quando a minha filha requer a minha opinião e conselho; pois não é para ficar feliz, quando ela ao pretender escolher uma qualquer peça de roupa, me leva com ela, e diz:

-Mãe, olha para mim e diz-me se esta cor fica bem com a minha cara! Quero saber a tua opinião! Fiquei feliz com o nascimento dos meus 3 netos lindos (gostava de ter uma neta, mas não calhou …) e já agora ficaria muito feliz de viver mais uns anitos para o neto maior me dar um bisneto, (adorava ser bisavó,) ver o Tim tirar o brevet de piloto que tanto deseja e o mais novo ainda sem projeto bem definido continuar a ter as boas notas de agora e tirar o seu curso.

Fico feliz nas festas de Natal quando somos 13, sem superstições, nos reunimos alegremente à mesa, e a seguir trocamos prendas! Gosto imenso da agitação própria dos preparativos para a ceia de Natal, e até me atrevo a fazer o bolo-rei. Mais uma coisa que me deixa feliz: quando aqui na Universidade adquiro mais conhecimentos; dá-me estímulo para continuar; por exemplo agora fico feliz comigo mesma, de cada vez que, com a ajuda da minha professora vou desvendando os mistérios do WORD!!!

26/02/2020

Maria Fernanda Calçada


 

Título: Momentos de mim

Autora: Maria Fernanda Martins Rodrigues Gomes

MOMENTOS DE MIM

Sentada à beira-mar,

Escrevo devagarinho,

Meu nome na areia molhada,

Em que a onda vem e apaga,

Onde abraço com carinho,

E falo com ela baixinho,

Em tom de gargalhada

Dos meus olhos de menina.

 Dos meus dedos que me guiam,

Ouvidos que olham o céu,

Riscos de espuma que escrevo eu,

Em arco-íris vestido de cores,

E todos os astros alumiam,

Este oceano de amores.

O sol quer-me beijar,

O vento toca de mansinho,

Trazendo gotas de mar,

E veste-me devagarinho,

De algas, conchas e limo!

É esta música que me acalma,

Com o mar em forma de dança,

Escrevendo felicidade,

Em letras verdes de esperança!

8 de Março 2020

Maria Fernanda Martins Rodrigues Gomes


 

Título: Às voltas coma felicidade

Autor: João Batista

Às voltas com a felicidade

O que me faz feliz é a ausência de dor! Sim, a minha e a dos outros - aqueles que amo e estimo - seja ela dor física ou espiritual.

O que me faz feliz? A persistência da dúvida, a persistência da pesquisa pelo princípio das coisas, pelo princípio do universo.

Também me traz felicidade a descida do número de casos de covid 19, agora que, segundo os especialistas na matéria, ultrapassado o pico, caminhamos para o domínio da situação, ainda que muito longe de a debelar, o que certamente só acontecerá com a vacina.

Quando falamos de felicidade – o sentimento experimentado por quem está feliz – em regra, somos levados a pensar no sorriso e no riso, na alegria e na euforia.

Mas, se nem sempre choro quando atingido pela dor, porque hei-de sempre rir quando ela está ausente? Posso estar sério e meditabundo e, no entanto, estar feliz.

Ténue, muito ténue, pode ser a fronteira entre o estar feliz e não o estar.

A esta fronteira há quem chame ataraxia. Curiosamente, rima com alegria e euforia, parecendo estar mais do lado destas do que do lado da dor; mas isto já é poetar, deixo isso para quem sabe, os poetas.

Na verdade, felicidade rima com serenidade e tranquilidade. Faço jus a essa rima e continuo neste estado de quietude, enquanto me deixarem, porque o mundo vai adiante e interpela-me. Sempre.

João Batista

Atelier de escrita e leitura

24/04/2020


 

Atelier de Escrita e Leitura Publicado a 26/6/2020

 
 

Título: O QUE ME FAZ FELIZ

Autor: António Fernando Roqueiro Ramalho

O QUE ME FAZ FELIZ

Tudo me faz feliz!

O conceito de felicidade é pessoal e subjectivo, eu não fujo à regra!

Em primeiro lugar se estivermos felizes connosco próprios e se por empatia conseguirmos transmitir esse estado de felicidade ao próximo por actos ou atitudes, tanto melhor, não é uma atitude utópica!

Tive uma infância saudável e feliz num meio rural despoluído e recheado de mentes simples mas encantadoras envolvidas no trabalho árduo do campo, mas sempre cantando lindas canções!

Uma adolescência recheada de felicidade na família com pais, avós e bisavós, na escola na companhia de colegas e professores, que ainda hoje nos reunimos anualmente, com actividades nas férias que me enriqueceram e descobriram outros Mundos.

Amores e desamores de estudante, próprios da idade e das circunstâncias, o twist era o tema em voga numa época que nos encheu de felicidade!

Vindo da aldeia para a capital não foi um choque nem um salto para o desconhecido mas sim uma sensação com um misto de liberdade, grandeza e deslumbramento pela abundante oferta de escolas e condições para trabalhar, divertimento e bem-estar, uma felicidade!

O primeiro emprego, o primeiro ordenado, as primeiras férias remuneradas, o reconhecimento do nosso trabalho foram momentos de enorme felicidade.

O trabalho em equipa, o contacto com o estrangeiro, as novas tecnologias conseguiram contribuir e concretizar algumas das nossas ambições, tornando mais feliz a nossa existência.

O serviço militar em teatro de guerra não me coibiu de ser feliz e proporcionar aos outros que estavam por perto desfrutar de momentos de intensa convivência e felicidade.

Tive uma madrinha de guerra norte-americana, que loucura à época, mas que felicidade ir até àquelas paragens e ser correspondido!

Ter constituído uma família, ter sido pai é um sentimento de felicidade que extravasa o perímetro do legado que os nossos pais, avós e bisavós nos deixaram, foi duma grandeza que se consolidou ao longo dos anos.

Passamos a ser sentinelas atentas a todos os movimentos nas mais variadas vertentes tendo a responsabilidade de intensificar e garantir uma confiança sólida àqueles que trouxemos ao Mundo.

Ser avô é fortalecer e consolidar essa felicidade com uma responsabilidade acrescida e mais abrangente já que temos que ser sentinelas e guias com múltiplas funções para seres sensíveis com personalidades distintas que nos absorvem e provocam uma enorme e insubstituível alegria.

Nisto chegou o dia da reforma e simultaneamente chegou também o voluntariado facto que nos obriga a conviver com realidades, cumprindo tarefas que desconhecíamos, não sabíamos realmente da sua existência, ir a sítios distantes das mais elementares condições de bem-estar mas que nos abrem as portas para um Mundo ávido de felicidade tentando contrariar esse desígnio.

Ao mesmo tempo vem a US, projecto de incontornável e feliz iniciativa que conseguiu congregar as mais variadas personalidades, carácteres e saberes motivando e proporcionando a todos nele inserido um são convívio e partilha de conhecimentos onde todos se devem sentir e fazer os outros felizes com qualidade!

Não percamos a oportunidade de aproveitar e desfrutar a vida com felicidade!

António Fernando Rouqueiro Ramalho


 

Título: SER FELIZ

Autora: Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

SER FELIZ

Sempre gostei muito de ler e escrever, é algo que me faz sentir feliz, calma, tranquila…

Ler, com mais ou menos regularidade ainda o faço, mas escrever, já há uns anos que não o faço, não por não querer, mas devido a toda a azáfama e preocupações do dia-a-dia e talvez por falta de motivação.

Perante o desafio que me fizeram para integrar este grupo de leitura e escrita, o qual agradeço muito, tive motivação e incentivo, para voltar a escrever.

Desde que me lembro de existir que sempre me senti feliz com as pequenas coisas do diaa-dia, nunca fui de grandes exigências.

Na minha infância, adorava brincar na rua, andar de trotineta, bicicleta, saltar à corda, andar de carroça, sentia-me extremamente feliz quando ia esperar por um vizinho da rua que tinha uma carroça, subia e lá ia sentada numa rude tábua de madeira cheia de lascas, toda feliz ao lado dele.

Fui crescendo e a minha felicidade passava por ter amigos, estudar e passar de ano, ir de férias para a praia, a única regalia que tive, pois os meus pais tinham as suas dificuldades e naquela época a frase era: tem de se poupar para uma doença, pelo que também não podia pedir muito.

Festas de aniversário, mascarar-me no Carnaval, visitas de estudo, viagens de finalistas, coisas que os meus amigos faziam, não tive nada disso, não havia dinheiro…mas eu era feliz!

Fazia-me muito feliz, ir buscar livros à carrinha da Gulbenkian que passava regularmente e posteriormente, fiz-me sócia do Círculo de Leitores e a parca mesada que o meu pai me dava, era cuidadosamente gerida para poder comprar livros.

Pode parecer tristonho, mas isso fazia-me muito, muito feliz. 

E eis que cheguei à idade adulta, comecei a namorar, casei e o dia do meu casamento foi um dos dias mais felizes da minha vida e que me tem feito feliz até hoje, por todos os momentos a dois ou até pelo simples momento de olhar para uma das inúmeras fotos daquele dia, espalhadas pela casa e recordar…porque recordar faz-me feliz e dá-me força e alento para superar os momentos menos bons.

Tenho duas adoradas filhas, e tenho sido imensamente feliz, todos os dias em que elas também estão felizes. 

Fez-me feliz, os seus sorrisos, a primeira vez que me chamaram de mãe, os primeiros passos, o primeiro dia de escola, etc.

Fazia-me muito feliz, ler um livro na cama com elas, antes de adormecerem, era um momento de felicidade, do qual elas não abdicavam.

Ver as minhas filhas crescer, fez-me muito feliz.

Fez-me feliz, as viagens que fiz, as férias na praia em família, as festas de anos das minhas filhas, mascara-las no Carnaval, poder partilhar as suas alegrias e ampará-las nas suas tristezas.

Sempre adorei animais, nunca pude ter, os meus pais não deixavam e assim quando pude ter o meu primeiro gato, senti uma felicidade imensa, era uma companhia que eu tanto precisava, foi das poucas coisas na minha vida, que exigi. 

Chegar a casa e estarem os dois à minha espera atrás da porta, roçarem-se nas minha pernas, é sempre um momento feliz.

Adoro, quando os meus dois felinos vão para o meu colo, sentir o calor que emanam e a tranquilidade da sua respiração que é algo que me acalma e tranquiliza. 

E hoje, com 60 anos, continuo a não exigir muito, faz-me feliz ter ao meu lado o meu companheiro, de quase 40 anos, meu porto de abrigo, darmos um simples passeio de mão dada à beira do rio, à beira do mar, um jantar a dois, um almoço com a família.

Relembro sempre com felicidade, sentada no meu escritório, olhando a parede cheia de fotografias, de toda uma vida passada a dois e de momentos muito felizes com as nossas filhas.

Espero ainda ter mais algum tempinho para ser feliz, especialmente com o meu companheiro, com saúde e muita vontade para viver, sorrir e amar, junto de todos os que gostam de estar junto de mim.

Maria do Carmo Roldão Fernandes Nunes

Aluna nº 1658


 

Título: O QUE ME FAZ FELIZ

Autor: Lino Solposto

“O QUE ME FAZ FELIZ”

Quando respeito e sou respeitado,

Quando sou livre e não obrigado,

Quando amo e sou amado,

Quando reconheço que estive errado.

É estar bem comigo próprio,

Sem raiva ou sequer ressentimento,

É estar contra a injustiça,

É ser contra a miséria,

E contra alguns charlatões,

Que mascarados de políticos,

Ajudam a conspurcar a Terra.

Também me faz feliz, estar vivo,

Poder manifestar sentimentos,

Poder ouvir e ser ouvido,

Não impor qualquer ideia ou vontade,

Antes, respeitar argumentos.

Passear pela beira-mar,

Inalar a maresia,

O ininterrupto vai e vem das ondas,

Desafiando à poesia,

E ver o astro rei caído no horizonte,

Com os últimos raios do dia.

É ter família e amigos,

É um serão à lareira,

É beber um copo de vinho,

Proveniente da minha parreira.

Lino Solposto

 


Atelier de Escrita e Leitura

(Onde damos aromas e sabores ás letras)

  Objectivo:

- Incentivar a escrita de textos próprios, baseados num tema, selecionado anteriormente pelo grupo coordenador.

- Leitura dos textos em grupo e participação na Roda de Leitura, promovida pela Associação de Alunos da Universidade Sénior.

- Construir um livro no final do ano, com os textos apresentados pelos participantes.

 

Normas de participação

1- Os textos devem ser escritos, pelos próprios e nunca publicados, em “Arial 12” de preferência e no máximo de 2 folhas

   A4 separadas, ou 1 folha A4 frente e verso.

2- Todos os textos devem ser assinados e enviados para o e-mail “Atelier.Escrita.Leitura@gmail.com” ou entregues em papel na

    Associação de Alunos.

3- Devem ser entregues entre 7 a 10 dias após a definição do Tema.

4- Os textos a ser lidos na Roda De Leitura devem ter a autorização do próprio, e serão sujeitos a um sorteio anónimo efectua-do pelo

    grupo coordenador, composto pelos 3 elementos: Maria José Domingos, Cândida Cardante Martins, Emílio Duarte

5- Os textos lidos na Roda de Leitura podem ser lidos pelo próprio, ou por outro elemento, por ele designado.

6-  A participação implica a aceitação destas normas.

7-  A Associação de Alunos é o nosso apoio para a marcação de salas, visitas de estudo, e para outro de tipo de material  necessário.

 

 4 de Janeiro de 2020

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